Bambolina
Ti ho trovata, bambolina
ti ho trovata carina carina
con gli stessi occhi azzurri
del mio cielo da bambina
ti ho trovata tra le cose / lì buttate alla rinfusa
con le stesse guance accese
di vergogna, come le avevo io
e l'armadio era un castello
e la guerra, quella di mio fratello
e la casa era un ombrello aperto
e la spesa, carte in un secchiello
nel mio letto di morbillo / tu la sola compagnia
bambolina, bambolina mia...
Mentre la vita
una montagna...
settembre: in mano ai grandi / i libri, a me solo
una castagna...
l'amore forse una carezza
o qualcosa da andare a spiare
piano, piano e con scaltrezza...
Ti ho trovata, bambolina
e ti vedo un pò più piccolina
con quel bottoncino rotto
per guardarti nuda io...
la stagnola era l'argento / dopo dieci già veniva cento, la notte un giorno spento da passare
tutta sola
dentro il mio spavento
con il pianto già il sorriso / che il dolore vola via... bambolina, bambolina mia
Mentre la vita / una cascata...
le mani indietro / da quel fuoco
opo essermi scottata...
l'amore un bacio e una certezza
riservata solo ai già cresciuti
e misuravo la mia altezza
Ti ho trovata bambolina
ti ho ripresa stamattina
dopo quella goccia rossa
che mi ha portato via.
Bonequinha
Eu te encontrei, bonequinha
te encontrei tão linda, tão linda
com os mesmos olhos azuis
do meu céu de criança
te encontrei entre as coisas / jogadas de qualquer jeito
com as mesmas bochechas vermelhas
de vergonha, como eu tinha
e o armário era um castelo
e a guerra, a do meu irmão
e a casa era um guarda-chuva aberto
e as compras, papéis em um balde
na minha cama de sarampo / você a única companhia
bonequinha, minha bonequinha...
Enquanto a vida
e uma montanha...
setembro: nas mãos dos grandes / os livros, pra mim só
uma castanha...
o amor talvez uma carícia
ou algo pra espiar
devagar, devagar e com astúcia...
Eu te encontrei, bonequinha
e te vejo um pouco menor
com aquele botão quebrado
pra te olhar nua eu...
a folha de alumínio era a prata / depois de dez já virava cem, a noite um dia apagado pra passar
toda sozinha
dentro do meu medo
com o choro já o sorriso / que a dor vai embora... bonequinha, minha bonequinha
Enquanto a vida / uma cachoeira...
as mãos pra trás / daquele fogo
depois de me queimar...
o amor um beijo e uma certeza
reservada só pra quem já cresceu
e eu media a minha altura
Eu te encontrei, bonequinha
e te peguei de novo esta manhã
depois daquela gota vermelha
que me levou embora.