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O taragüisita

Mario Bofill

La taragüisita

Estoy en Goya
Volvieron las golondrinas y andan contando las cosas que sus ojitos vieron
Tanto viajar
Con una de ellas te escribo, mi amor
Y te mando los versos que un día has de escuchar

Diciembre llenó mi patio de margaritas
Y ensangrentó de chivatos mi soledad
Con tanto olor a jazmín hay una infinita canción
Nostalgia de tu presencia que ya no está
El canto de las chicharras huele a sandía
Y se me endulza a boca nombrandote
Cómo le explico a mi alma esta brujería, mi amor
Que solo se me desata en el llámame

Mujer, mi taraguisita
Dulce compañera, la novia primera de mi corazón
Mujer, mi curunducito, mi reliquia santa
Que aquí en mi garganta se me hace canción
Y bajo la piel me ha de acompañar
Mujer, mi mujer
Por siempre jamás

Volvieron las golondrinas
Y están volando sobre el silencio enlutado de nuestro hogar
Tu amor fue una golondrina que ando esperando
Y así, regrese a mi, Dios mediante, del más alla
Hay un zorzal que te llama cuando amanece
Y hay un quespín que te llora al atardecer
La lluvia moja tu ausencia y me enloquece otra vez
Saberme solo en la noche sin tu querer

Mujer, mi taraguisita
Dulce compañera, la novia primera de mi corazón
Mujer, mi curunducito, mi reliquia santa
Que aquí en mi garganta se me hace canción
Y bajo la piel me ha de acompañar
Mujer, mi mujer
Por siempre jamás

O taragüisita

Eu estou em Goya
As andorinhas voltaram e estão contando as coisas que seus pequenos olhos viram
Tanta viagem
Com um deles eu escrevo para você, meu amor
E eu te envio os versos que um dia você tem que ouvir

Dezembro encheu meu pátio com margaridas
E sangrou meus informantes
Com tanto cheiro de jasmim há uma canção infinita
Nostalgia por sua presença que não é mais
A canção das cigarras cheira a melancia
E me adoça boca nomeando você
Como eu explico à minha alma essa feitiçaria, meu amor
Isso só me desata no me ligar

Mulher, minha taraguisita
Doce companheira, a primeira namorada do meu coração
Mulher, meu curunducito, minha relíquia sagrada
Que aqui na minha garganta me faz música
E debaixo da minha pele, tem que me acompanhar
Mulher, minha esposa
Para sempre jamais

Andorinhas devolvidas
E eles estão voando sobre o silêncio triste de nossa casa
Seu amor foi uma andorinha que eu estou esperando
E então, volte para mim, se Deus quiser, de além
Há um tordo que te chama quando amanhece
E há um quespín que chora ao pôr do sol
A chuva molha sua ausência e me enlouquece de novo
Conhecendo-me apenas na noite sem seu amor

Mulher, minha taraguisita
Doce companheira, a primeira namorada do meu coração
Mulher, meu curunducito, minha relíquia sagrada
Que aqui na minha garganta me faz música
E debaixo da minha pele, tem que me acompanhar
Mulher, minha esposa
Para sempre jamais