Buzón
Parado en la esquina sos un monumento
(en un crudo día de invierno sin sol).
Del frío... tu cara parece un pimiento.
Y firme plantado... igual que un buzón.
Diciendo piropos a los cuatro vientos,
da pena tu aire de conquistador,
tu traje gastado por la acción del tiempo
y tu mala fama de trabajador.
Buzón...
Tus dos hermanitas,
cual dos hormiguitas,
camino al taller.
Buzón...
Siempre en la esquina
mirando si pasa
la misma de ayer.
Buzón...
Comprate La Prensa,
buscate trabajo,
ganate tu pan...
Que haces ahí parado
como un espantajo...
Pensá en la viejita,
andá a trabajar.
Andate a tu casa. ¿No ves que el agente
es nuevo y no sabe que sos el buzón?...
A ver si te pasa de un brazo a la veinte,
a vos, que sos todo un ilustre señor.
Ya sos grandecito, dejate de pibas,
andate a tu casa y decile a mama:
Yo sé que las cosas no vienen de arriba
y todo es tan caro... te voy a ayudar.
Caixinha de Correio
Parado na esquina, você é um monumento
(em um dia frio de inverno sem sol).
Do frio... seu rosto parece um pimentão.
E firme plantado... igual a uma caixinha de correio.
Dizendo cantadas aos quatro ventos,
dá pena seu jeito de conquistador,
seu traje surrado pela ação do tempo
e sua má fama de trabalhador.
Caixinha de correio...
Suas duas irmãs,
como duas formiguinhas,
indo pro ateliê.
Caixinha de correio...
Sempre na esquina
vendo se passa
a mesma de ontem.
Caixinha de correio...
Compre o jornal,
arrume um trampo,
ganhe seu pão...
O que você tá fazendo aí parado
como um espantalho...
Pensa na velhinha,
vai trabalhar.
Vai pra sua casa. Não vê que o agente
é novo e não sabe que você é a caixinha de correio?...
Vamos ver se te manda de um braço pra vinte,
para você, que é todo um ilustre senhor.
Já tá grandinho, para de ser moleque,
vai pra sua casa e diz pra mamãe:
Eu sei que as coisas não caem do céu
e tudo é tão caro... eu vou te ajudar.