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Nada de Novo

Max Gazzè

Niente Di Nuovo

Qui appoggiato sul gomito
un telefono spreca silenzi
e li appende alle pareti come litografie
una sporgenza di bivacco
si affaccia al balcone senza idee
ed eccetto la ringhiera
tutto precipita in basso
Ambasciatore dell'universo
gesticola un ago di pino
per dimostrare la sua innocenza
lo si perdona
purché si guardi dall'esistere
che rimanga qui a decifrare il vento
e a pungere il senso sotto i piedi

Quando i pensieri sono vuoti a rendere
e assestano pugni sentiti
su una Peugeot in doppia fila
niente di nuovo
c'è gente che muore di fame
ma perdio
qui non filtra la notizia

Con le mani di marmellata
i bambini frignano in castigo
Lì dove il castigo è senza colpa
pochi ne hanno la forza
niente di nuovo piazzano ancora
alberghi su Bastioni Gran Sasso
e il solarium e un tramonto prugna
dietro l'ennesima cassa di risparmio

Non serve più
chiedo di essere brillo
per dimenticare tutto l'insulso c
hiedo un destino rocambolesco
qui, qui, qui
niente di nuovo

Nada de Novo

Aqui apoiado no cotovelo
um telefone desperdiça silêncios
e os pendura nas paredes como litografias
um desvio de acampamento
se debruça na varanda sem ideias
e exceto pela grade
tudo despenca pra baixo
Embaixador do universo
gesticula um galho de pinheiro
pra mostrar sua inocência
se o perdoam
contanto que não se atreva a existir
que fique aqui decifrando o vento
e cutucando o sentido sob os pés

Quando os pensamentos estão vazios pra render
e desferem socos sentidos
em um Peugeot em fila dupla
nada de novo
tem gente morrendo de fome
mas, caramba
aqui a notícia não chega

Com as mãos pegajosas
todas as crianças choramingam de castigo
Lá onde o castigo é sem culpa
poucos têm força pra isso
nada de novo, ainda colocam
hotéis nos Bastioni Gran Sasso
e o solário e um pôr do sol roxo
atrás da enésima caixa de poupança

Não adianta mais
peço pra ficar bêbado
pra esquecer toda a bobagem
peço um destino maluco
aqui, aqui, aqui
nada de novo

Composição: