O FUNK DO RJ NUNCA VAI MORRER

MC Kevin o Chris

Uma disputa de som que rolava em Duque de Caxias, na quadra do Marieta e Anório
Domingão à tarde ensolarada
Piscina, um montão de carro equipado
Eu me lembro como se fosse ontem, mano

Quando os caras aumentavam o som fazia a magia acontecer
Na época eu peguei o computador da minha mãe
Já produzia algumas coisas, fazia uns beats, nada profissional
Mas foi ali que eu senti a essência do funk se mostrando como algo que me fazia feliz

E eu tava ali realmente feliz
Eu me lembro muito bem de ter visto o DJ Branquinho mandando ao vivo umas montagens na Akai MPC1000
Eu fiquei louco na hora e fui logo atrás de comprar uma, tá ligado?
Não foi fácil convencer minha mãe de comprar
Até porque a criação era diferente, a gente ia na igreja
E eu tocava bateria na época na igreja
Eu não era tão brabo, mas eu era esforçado

Depois minha mãe comprou a controladora
Daí pra frente, me agarrei no estúdio, foram dias, meses, anos
E hoje eu 'tô aqui
Perdi amigos, ganhei amigos, mas a música nunca me abandonou

O momento de criação acho que é o mais importante
É aquele momento que eu consigo acessar esse dia em si
Aquele sentimento que eu senti do funk, a batida pulsante, som alto

A minha sacada foi cantar a melodia em 75 bpm e depois transpor pra 150 que é o dobro
E nisso eu criei a identidade, a minha identidade
Aquela melodia mais lenta no beat acelerado
É isso, Kevin o Chris, álbum, UNIVERSO 150
Enquanto eu tiver aqui, o funk do Rio de Janeiro nunca vai morrer


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