The Snake
Era vn ortolano byen simpre e syn mal
En el mes de enero con fuerte tenporal
Andando por su huerta, vido so vn peral
Vna culebra chica, medio muerta atal
Con la nieue E con el viento e con la elada fria
Estaua la culeba medio amodorrida
El omne piadoso que la vido aterida
Doliose mucho della, quisole dar la vida
Tomola en la falda e leuola a su casa
Pusola çerca de fuego, çerca de buena blasa
Abiuo la culebra ante que la el asa
Entro envn forada desa cosina rrasa
Aqueste ome bueno da uale cada dia
Del pan E de la leche e de quanto el comia
Creçio con el grand vyçio e con el grand bien que
Tenia, tanto que sierpe grande a todos paresçia
Venido eselestio, la siesta affyncada
Que ya non avia miedo deviento nin de elada
Salyo de aquel forado sañuda E ayrada
Començo de enponçoñar con venino la posada
Dixole el ortolano, "Vete de equeste lugar
Non fagas aqui dapño!" Elle fuese en-sañar
Ablaçolo tan fuerte que lo querria afogar
Apretandolo mucho, cruel mente, syn vagar
Era vn ortolano byen simpre e syn mal
En el mes de enero con fuerte tenporal
Andando por su huerta, vido so vn peral
Vna culebra chica, medio muerta atal
A Cobra
Era um jardineiro bom e sem maldade
No mês de janeiro, com forte temporal
Andando pela sua horta, viu sob uma pereira
Uma cobra pequena, meio morta, afinal
Com a neve e com o vento e com a geada fria
Estava a cobra meio adormecida
O homem piedoso que a viu aterrorizada
Sentiu muita pena dela, quis dar-lhe a vida
Pegou-a na saia e levou-a pra casa
Colocou-a perto do fogo, perto de uma boa brasa
A cobra abriu os olhos antes que a brasa
Entrasse em um buraco daquela cozinha rasa
Esse homem bom dá vale a cada dia
Do pão e do leite e de tudo que comia
Cresceu com o grande vício e com o grande bem que
Tinha, tanto que a cobra grande a todos parecia
Veio o calor, a sesta apressada
Que já não havia medo do vento nem da geada
Saiu daquele buraco, enfurecida e irritada
Começou a envenenar com veneno a morada
Disse o jardineiro: "Vá-se deste lugar
Não faça aqui dano!" Ela começou a atacar
Apertou-o tão forte que o queria afogar
Apertando-o muito, cruelmente, sem hesitar
Era um jardineiro bom e sem maldade
No mês de janeiro, com forte temporal
Andando pela sua horta, viu sob uma pereira
Uma cobra pequena, meio morta, afinal
Composição: Juan Carlos Ruiz / Katharine Blake