395px

Amarroto

Miguel Bucino

Amarroto

Te pasaste treinta abriles de una esquina a otra esquina
sin saber que era una mina, ni una copa, ni un café.
La yugabas como un burro y amurabas meneguina
practicando infantería de tu casa hasta el taller.
Fútbol, timbas y carreras eran cosas indecentes,
sólo el cine era tu vicio... si podías garronear.
Y una vuelta que asomaste los mirones por Corrientes
al marearte con las luces te tuvieron que auxiliar.

Hijo de "Quedate quieto" y la zaina "No te muevas",
nunca, nunca te rascaste ni teniendo sarampión...
Flor de chaucha que en la esquina no ligaste ni una breva
porque andabas como un longhi chamuyándolo al botón.
No tenías ni un amigo, "que el buey solo bien se lame",
según tu filosofía de amarroto sin control.
Y amasabas los billetes como quien hace un salame
laburando de esclavacho, como un gil, de sol a sol.

Hoy te veo engayolado... Te chapó una solterona
que podría ser tu nona y que es toda tu pasión...
Y seguís amarrocando para que ella, tu monona,
se las dé de gran princesa a costillas del chabón.
En el banco de la vida al final siempre se pierde,
no hay mortaja con bolsillos a la hora de partir.
Vos que no sabés siquiera de un final "bandera verde",
aclarame, che amarroto... ¿para qué querés vivir?

Amarroto

Você passou trinta primaveras de uma esquina pra outra
sem saber que era uma mina, nem uma bebida, nem um café.
Você se esforçava como um burro e se escondia na esquina
praticando a pé da sua casa até o trabalho.
Futebol, jogatina e corridas eram coisas indecentes,
só o cinema era seu vício... se você conseguisse um jeito.
E numa volta que você deu, os curiosos na Corrientes
te ajudaram quando você se perdeu com as luzes.

Filho do "Fica parado" e da zaina "Não se mexe",
nunca, nunca se coçou nem com sarampo...
Flor de abobrinha que na esquina não pegou nem uma breva
porque andava como um idiota, enrolando o segurança.
Não tinha nem um amigo, "que o boi sozinho se lambe",
s segundo sua filosofia de amarroto sem controle.
E você contava as grana como quem faz um salame
trabalhando de escravo, como um otário, de sol a sol.

Hoje te vejo todo arrumado... Te pegou uma solteirona
que poderia ser sua avó e que é toda sua paixão...
E você continua se esforçando pra que ela, sua mona,
se ache uma grande princesa às custas do cara.
No banco da vida, no final sempre se perde,
não tem mortalha com bolsos na hora de partir.
Você que não sabe nem o que é um final "bandeira verde",
me explica, ô amarroto... pra que você quer viver?

Composição: