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Carriego (part. Roberto Arrieta)

Miguel Calo

Carriego (part. Roberto Arrieta)

Tomaste del cielo
Un puñado de estrellas
Y al mundo arrojaste
Canciones de amor

Y triste las manos
Y los pies en los cardos
Inspirando poemas de llanto y dolor
Tu emoción de suburbio
Recordó a la enfermita
Que esperando a su novio
Una tarde murió
Y también a la otra
La costurerita
Que dio aquel mal pasó
Y nunca volvió

Fue tu alma exaltada
Un manojo de verso
Que mecida en la seda
Se arrullaba en percal
Y era un ansia infinita
De rumores dispersos
Pregonando en la senda
Del bien y del mal

Y una noche sin luna
Borrascosa y muy fría
Te alejaste Carriego
Para nunca volver
Quedó trunca en tus labios
La postrer poesía
De perdón y plegaria
A una mujer

Unas páginas tuyas
Se ha aferrado a mi vida
En aquella en qué hablas
De un camino sin luz
Es aquella en qué citas
Muchachas vencidas
Y que has elevado
Al perdón de Jesus

Carriego (part. Roberto Arrieta)

Tomaste do céu
Um punhado de estrelas
E ao mundo lançaste
Canções de amor

E tristes as mãos
E os pés nos cardos
Inspirando poemas de choro e dor
Tua emoção de subúrbio
Lembrou a doente
Que esperando seu namorado
Uma tarde morreu
E também a outra
A costureira
Que deu aquele passo ruim
E nunca mais voltou

Foi tua alma exaltada
Um punhado de versos
Que embalado na seda
Se acalentava em percal
E era uma ânsia infinita
De rumores dispersos
Anunciando no caminho
Do bem e do mal

E numa noite sem lua
Tempestuosa e muito fria
Você se afastou, Carriego
Para nunca mais voltar
Ficou truncada em seus lábios
A última poesia
De perdão e prece
A uma mulher

Algumas páginas suas
Se apegaram à minha vida
Naquela em que fala
De um caminho sem luz
É aquela em que cita
Moças vencidas
E que elevaste
Ao perdão de Jesus

Composição: Julio Jorge Nelson