
Metade do Coração
Miguel Cirillo
Abro a porta e o silêncio vem dar-me um nó na garganta
Procuro o teu cheiro na almofada, mas o frio não levanta
Caminho pela casa, fujo do espelho, não me quero ver assim
Parece que o mundo parou no momento em que disseste: É o fim
Diziam que o tempo curava o que o peito sentia
Mas o meu relógio parou naquela tarde fria
Diz-me como é que se vive com metade do coração
Como é que se apaga o lume de uma chama que foi paixão
Eu ando pelas ruas perdido no teu olhar
A gritar o teu nome ao vento com vontade de te encontrar
Guardo ainda no bolso aquela chave que já não abre nada
A esperança é uma luz que teima em ficar acesa na estrada
Lembro-me do teu sotaque, do jeito que tinhas de me chamar
E agora sou um barco à deriva, longe do mar
Que me queima por dentro
Não deixes que o nosso destino se perca num só momento
Diz-me como é que se vive
Como é que se apaga o lume de uma chama que foi paixão
Eu ando pelas ruas perdido no teu olhar
A gritar o teu nome ao vento com vontade de te encontrar
Sem ti
Sou apenas um resto de nós
Ainda ouço a tua voz




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