Sempre Lá

Miguel Cirillo

Acordo e faltas-me tu
Como falta sol às tardes de chuva
Como falta a voz ao último aviso
Como falta o toque quando eu preciso

E cada rua lembra o teu cheiro
Até cafés que nunca fomos sem querer
Eu abraço o vento o dia inteiro
Na esperança que o vento te traga a correr

E eu quero-te aqui hoje, não amanhã
O mundo até anda, mas não sabe para onde vai
E quanto mais tento fugir, mais a saudade me apanha
Porque o meu coração é paragem final
E o teu fica sempre lá

As tuas mãos são o meu lugar seguro
Como o casaco que guardo mesmo no verão
E cada esperança que guardo do futuro
É metade tua, metade desta canção

E se a vida hoje me destrói
Como a chuva que cai sem dizer por que
És tu que tornas esta vida menos dura
És tu que pões o meu caos em pé

E eu quero-te aqui hoje, não amanhã
O mundo até anda, mas não sabe para onde vai
E quanto mais tento fugir, mais a saudade me apanha
Porque o meu coração é paragem final
E o teu fica sempre lá

E não interessa se o relógio corre
Eu não desisto do que é real
Tu és a pausa que o tempo implora
Tu és poesia no meu dia banal

E eu quero-te aqui hoje, não amanhã
O mundo até anda, mas não sabe para onde vai
E quanto mais tento fugir, mais a saudade me apanha
Porque o meu coração é paragem final
E o teu fica sempre lá

E o teu fica sempre lá
Sempre lá
Sempre lá


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