Noir fauve
Tout autour il n’y a que des flammes qui hurlent
Et chantent affreusement
Dans l’essoufflement terrible de la destruction
Et tombent près de toi
Des morceaux embrasés de paradis
Perséides aux lambeaux de tendresses
Jetés à terre de souffrances et de furie
Tu avales à grands cris les vestiges de tes étoiles
Répandues en débris d’essors et d’abandons
Et tu cherches à recueillir dans les failles de la perfection
Les souvenirs défigurés de quelques nébuleuses
Alors que tout est baigné de l’irréparable clameur
Et de fumées délétères
L’espoir explosé d’avoir voulu toute la lumière
Avidement
De tes larmes ressort le reflet amer des astres fendus
Et tu contemples d’un calme meurtrier
L’âme courbe et le regard tordu d’effroi
Le paysage jonché de carcasses incendiaires
Et de ténèbres croches
D’une échouerie tragique et noire
Et tu te brises aussi
Renversé
Dans un vent qui ne porte que des chorales de braises et de beautés fondues
Pendant que s’enfoncent lourdement en ton cœur et ses gouffres
L’étincelle sublime et la violence imprécise d’un amour chaotique
Perçant le tissu de la nuit
Tes cieux sont éventrés de multiples douleurs
Et de pulsions volcaniques
Et tu songes à dévorer, autant que l’avenir te consume
Fendre le monde
Éperdument
Pour que d’une même morsure éclatent
Le goût de la jouissance, et celui de la pourriture
De la brûlure enlacée à l’assouvissement du doute
Au fond de tes yeux coulent des ombres fauves
Cernées d’écumes de rage et de vieux tremblements
Vers l’océan flou et au creux de tes mains
Porte le feu
Porte le d’une mort à l’autre
Et je t’aimerai sauvagement
Fera Negra
Ao redor só há chamas que gritam
E cantam terrivelmente
No sufocante terror da destruição
E caem perto de você
Fragmentos incandescentes do paraíso
Perseidas em farrapos de ternura
Jogadas ao chão de sofrimento e fúria
Você engole aos gritos os vestígios de suas estrelas
Espalhadas em destroços de ascensões e abandonos
E você procura recolher nas falhas da perfeição
As memórias desfiguradas de algumas nebulosas
Enquanto tudo é banhado pelo clamor irreparável
E por fumaças deletérias
A esperança explodida de ter querido toda a luz
Ávidamente
De suas lágrimas reflete o amargo das estrelas partidas
E você contempla com uma calma assassina
A alma curvada e o olhar torcido de horror
A paisagem juncada de carcaças incendiárias
E de trevas tortas
De um naufrágio trágico e negro
E você também se quebra
Derrubado
Em um vento que só traz corais de brasas e belezas derretidas
Enquanto afundam pesadamente em seu coração e seus abismos
A centelha sublime e a violência imprecisa de um amor caótico
Perfurando o tecido da noite
Seus céus são rasgados por múltiplas dores
E pulsões vulcânicas
E você pensa em devorar, tanto quanto o futuro te consome
Rasgar o mundo
Desesperadamente
Para que de uma mesma mordida irrompam
O gosto do prazer e o gosto da podridão
Da queimadura entrelaçada à satisfação da dúvida
No fundo de seus olhos escorrem sombras selvagens
Cercadas de espumas de raiva e antigas tremuras
Em direção ao oceano turvo e no vazio de suas mãos
Carrega o fogo
Carrega-o de uma morte a outra
E eu te amarei selvagemente
Composição: Miserere Luminis