exibições de letras 884

Romance de Campo e Mar

Moises Silveira de Menezes

LetraSignificado

    Quem embarca em barco alheio
    embarca anseios e medos,
    abarca sonhos nos braços
    que lançam redes ao mar
    buscando nesta labuta
    garantir o pão na mesa,
    onde a luz da lamparina
    ilumina rostos tristes,
    todos crentes na esperança
    de um dia ter vida boa
    e talvez saber que o fim
    é o sem fim azul do mar

    Para quem mira de longe
    parece um frágil caíque
    o barco que abarca um mundo
    que embarcou no continente.
    Sarandeia sobre as ondas,
    por ora em suaves meneios,
    por outra quase soçobra
    em tremendo corcoveio,
    mas no leme, rédea firme
    Juvencio com tino e rumo
    na sobre vida dos tombos

    Campeiro vindo de estância
    do mar verde da campanha,
    uma espécie de marujo
    não vê muita diferença
    entre o lombo dos ventanas
    e esses barcos araganos
    que buscam na faina diária,
    além de ricos cardumes,
    respostas prás inquietudes
    e talvez chegar ao fim
    do sem fim azul do mar

    Juvencio é um desses tauras
    que vieram do mar da pampa
    tentar a sorte embarcado
    nesses barquitos pesqueiros.
    Quem outrora marcou, curou,
    quebrou corincho de potros
    hoje garimpa garoupas,
    bagres, tainhas gavionas...
    se equilibra sobre as ondas
    quem antes se enforquilhava
    num maula que levitava
    por sobre as ondas do pasto

    Quem domou xucro em Santana
    e gineteou nas "criollas",
    tenteou traíra em Rio Negro,
    fez presença em Vacaria,
    não respeita o mar por grande
    mas teme o desconhecido.
    Juvencio se aferra ao leme
    E lembranças passageiras
    dos mistérios do Jarau,
    de tirotear com gerdames,
    compõe um mundo pequeno
    antes o reino de Netuno.

    Nas ondas crespas do mar
    o barco navega suave
    buscando vida e sustento.
    Há uma quietude que inquieta
    quem se aventura na lida
    no imenso reino marinho,
    onde o peixe é garantia
    de quem precisa sonhar,
    prá alimentar outros sonhos
    e amenizar esta angústia
    de nunca chegar o fim
    o sem fim azul do mar.

    No lombo de um baio ruano
    que ondeava por sobre pastos
    numa "criolla" a lo largo,
    entendeu assim de pronto
    que o sem fim verde do campo
    terminava no alambrado,
    mas no leme de um pesqueiro
    num reino sem aramados
    a liberdade é completa
    e o fim do seim fim do mar
    é o começo "por supuesto"
    do seim fim azul do céu.

    Composição: Moises Silveira De Menezes. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Moises Silveira de Menezes e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção