As Tuileries
Nós somos dois caras
Com ombros largos
Uns bandidos alegres
Que sabem rir e brigar
Comendo como quatro
Bebendo como dez
Quando esvaziamos litros
Batemos nas janelas
Do barzinho
O burguês deformado
Treme em seu uniforme
Debaixo do seu boné grande
Nós vivemos, afinal
Somos homens de bem
Não somos informantes
Vamos todo domingo
Com a Lise ou a Blanche
Jantar na casa do Richard
Vivemos sem abrigo
Gulosamente e rápido
Como um pardal
Aumentando nossos caprichos
Até as cantoras
Do Bobino
A vida é diversa
Enfrentamos a chuva
Que molha nossa pele
Sempre na farra
Com poucos amigos
E sem chapéu
Temos a embriaguez
O amor, a juventude
O brilho nos olhos
Punhos aterradores
Nós somos diabos
Nós somos deuses