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Soldadinho Boliviano

Nacha Guevara

Soldadito Boliviano

Hace ya cuatro años y así estamos, consternados, rabiosos aunque esta muerte sea uno de los absurdos previsibles. Da vergüenza mirar los cuadros, los sillones, las alfombras. Vergüenza tener frío y arrimarse a la estufa como siempre, tener hambre y comer, esa cosa tan simple. Da vergüenza el confort y el asma da vergüenza cuando vos comandante estás cayendo ametrallado, fabuloso, mítico.

Soldadito de Bolivia, soldadito boliviano
Armado vas de tu rifle que es un rifle americano
Que es un rifle americano, soldadito de Bolivia
Que es un rifle americano

Te lo dio el señor Barrientos, soldadito boliviano
Regalo de Mister Johnson para matar a tu hermano
Para matar a tu hermano, soldadito de Bolivia
Para matar a tu hermano

No sabes quien es el muerto, soldadito boliviano
El muerto es el Che Guevara y era Argentino y Cubano
y era Argentino y Cubano, soldadito de Bolivia
y era Argentino y Cubano

Está mi guitarra entera, soldadito boliviano
De luto pero no llora aunque llorar es humano
aunque llorar es humano soldadito de Bolivia
aunque llorar es humano

No llora porque la hora, soldadito boliviano
No es de lágrima y pañuelo sino de machete en mano
sino de machete en mano, soldadito de Bolivia
sino de machete en mano

Con el cobre que te paga, soldadito boliviano
Que te vende que te compra es lo que piensa el tirano
es lo que piensa el tirano, soldadito de Bolivia
es lo que piensa el tirano.

Donde estés, si es que estás
Si estas llegando
Será una pena que no exista Dios
Pero habrá otros, claro que habrá otros
Dignos de recibirte comandante

Pero aprender va a ser duro, soldadito boliviano
Que a un hermano no se le mata, que no se mata a un hermano
que no se mata a un hermano, soldadito de Bolivia
que no se mata a un hermano.
que no se mata a un hermano.

Soldadinho Boliviano

Já faz quatro anos e assim estamos, consternados, raivosos, embora essa morte seja um dos absurdos previsíveis. É vergonhoso olhar os quadros, os sofás, os tapetes. Vergonha ter frio e se encostar no aquecedor como sempre, ter fome e comer, essa coisa tão simples. É vergonhoso o conforto e a asma, é vergonhoso quando você, comandante, está caindo metralhado, fabuloso, mítico.

Soldadinho da Bolívia, soldadinho boliviano
Armado vai com seu fuzil que é um fuzil americano
Que é um fuzil americano, soldadinho da Bolívia
Que é um fuzil americano

Te deu o senhor Barrientos, soldadinho boliviano
Presente do Mister Johnson pra matar seu irmão
Pra matar seu irmão, soldadinho da Bolívia
Pra matar seu irmão

Não sabe quem é o morto, soldadinho boliviano
O morto é o Che Guevara e era argentino e cubano
E era argentino e cubano, soldadinho da Bolívia
E era argentino e cubano

Está minha guitarra inteira, soldadinho boliviano
De luto, mas não chora, embora chorar é humano
Embora chorar é humano, soldadinho da Bolívia
Embora chorar é humano

Não chora porque a hora, soldadinho boliviano
Não é de lágrima e lenço, mas de machete na mão
Mas de machete na mão, soldadinho da Bolívia
Mas de machete na mão

Com o cobre que te paga, soldadinho boliviano
Que te vende, que te compra, é o que pensa o tirano
É o que pensa o tirano, soldadinho da Bolívia
É o que pensa o tirano.

Onde você estiver, se é que está
Se está chegando
Vai ser uma pena que não exista Deus
Mas haverá outros, claro que haverá outros
Dignos de te receber, comandante

Mas aprender vai ser duro, soldadinho boliviano
Que a um irmão não se mata, que não se mata a um irmão
Que não se mata a um irmão, soldadinho da Bolívia
Que não se mata a um irmão.
Que não se mata a um irmão.

Composição: