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Ladrão

Nacha Guevara

Chorra

"Saben que el viaje de venir hasta aquí es tan largo, son tantas horas, que uno a veces se entretiene de las formas más bizarras, y esta vez me entretuve buscando los sinónimos de la palabra 'ladrón', y... encontré que ladrón es igual a ratero, hurtador, asaltante, carterista, bandolero, cuatrero, bandido, caco, saqueador, rapaz, timador, malandrín, estafador... lo que debe haber robado la humanidad para tener tal cantidad de vocablos ¿no? y, todavía, en sudamérica, tenemos un par de sinónimos más; uno es y el otro, en El Río de la Plata, es 'chorro'. Y de eso habla, precisamente, el tango que sigue, de un chorro. Bueno, en realidad habla de una chorra. A decir verdad habla de una familia de chorros."

Por ser bueno me pusiste a la miseria,
me dejaste en la palmera,
me afanaste hasta el color.
En seis meses me fundiste el mercadito,
el puestito de la feria,
la ganchera, el mostrador.

Chorra, me robaste hasta el amor.
Aura tanto me asusta una mina
que si en la calle me afila
me pongo al lao del botón.

Lo que más bronca me da
es haber sido tan gil.
Si hace un mes me desayuno
con lo que he sabido ayer
no es a mí que me cachaban
tus rebusques de mujer.
Hoy me entero que tu mama,
noble viuda de un guerrero,
es la chorra de más fama
que pisó la Treninta y tres.
Y he sabido que el guerrero,
que murió lleno de honor,
ni murió, ni fue guerrero,
como me engrupiste vos;
está en cana prontuariao,
como agente en la camorra,
profesor de cachiporra,
malandrín y estafador.

Entre todos me pelaron con la cero.
Tu silueta fue el anzuelo
donde yo me fui a ensartar.
Se tragaron vos, la viuda y el guerrero,
lo que me costó diez años
de paciencia y de yugar.

Chorros, vos, tu vieja y tu papá.
Guarda, cuídense, porque anda suelta,
si los cacha los da vuelta
no les da tiempo a rajar.

Lo que más bronca me da es...
(¿Qué?)
Lo que más bronca me da es...
(¿Qué?)
Lo que más bronca me da es...
(¿Qué?)
"Ustedes...¿comieron antes de venir?"
Lo que más bronca me da es...
(¿Qué?)
Es...
Es haber sido tan gil.

Ladrão

"Sabem que a viagem de vir até aqui é tão longa, são tantas horas, que às vezes a gente se distrai de formas bem bizarras, e dessa vez eu me distraí procurando sinônimos da palavra 'ladrão', e... encontrei que ladrão é igual a ratero, furtador, assaltante, carteirista, bandoleiro, quadrilheiro, bandido, caco, saqueador, rapaz, timador, malandrão, estafador... o que a humanidade deve ter roubado para ter tanta palavra, né? e, ainda, na América do Sul, temos mais alguns sinônimos; um é e o outro, no Rio da Prata, é 'chorro'. E é disso que fala, precisamente, o tango que vem a seguir, de um chorro. Bom, na verdade fala de uma chorra. Para ser sincero, fala de uma família de chorros.

Por ser bonzinho, me jogou na miséria,
me deixou na palmeira,
me roubou até a cor.
Em seis meses me quebrou o mercadinho,
o quiosque da feira,
a barraca, o balcão.

Chorra, me roubaste até o amor.
Aura, tanto me assusta uma mina
que se na rua me afila
me ponho do lado do botão.

O que mais raiva me dá
é ter sido tão otário.
Se há um mês eu tivesse acordado
com o que soube ontem,
não sou eu que caía
nos seus truques de mulher.
Hoje descubro que sua mãe,
nobre viúva de um guerreiro,
é a chorra mais famosa
que pisou na Trinta e Três.
E soube que o guerreiro,
que morreu cheio de honra,
não morreu, nem foi guerreiro,
como você me enganou;
stá na cadeia, fichado,
como agente na confusão,
professor de cacetete,
malandrão e estafador.

Entre todos me pelaram com a zero.
Sua silhueta foi o anzol
de onde eu fui me enroscar.
Engoliram você, a viúva e o guerreiro,
o que me custou dez anos
de paciência e de trabalho.

Chorros, você, sua velha e seu pai.
Cuidado, se cuidem, porque tá solta,
se os pega, dá volta
não dá tempo de rajar.

O que mais raiva me dá é...
(¿O quê?)
O que mais raiva me dá é...
(¿O quê?)
O que mais raiva me dá é...
(¿O quê?)
"Vocês... comeram antes de vir?"
O que mais raiva me dá é...
(¿O quê?)
É...
É ter sido tão otário."

Composição: