Mark Spitz
Anochezco y vuelvo a descansar
en una nube gris
fumando sobre plata
el terror que da vivir.
Y todo me parece bien
en esta habitación.
Por hoy me dejaré de oír:
-Ay de lo que en mí llamo yo-.
Saboreo la humedad
que se pudre en las paredes
y pido asilo en medio de la humanidad.
Pero no, no lo pido por favor
sino por piedad.
El cielo rompió en lágrimas.
Se acomodó el terror.
Sobrevino una negrura tal
como si muriera el sol.
Los hombres sabios buscan ya
algún rayo de luz.
Dicen que están ocultos
al lado de la Santa Cruz.
Saboreo la humedad
que se pudre en las paredes
y pido auxilio a toda la mediocridad.
Pero no, no os lo pido por favor,
no, nunca por favor
sino por piedad.
Quise ahogar mis penas
pero ellas nadaban en alcohol
como Mark Spitz.
Hoy la luna llena
ha decidido escupirle al sol
y yo no saco en claro más
que un trozo de canción.
Anochezco y vuelvo a descansar
sobre una nube azul y gris.
Me fumo, plata a plata,
la jodienda de vivir.
Mark Spitz
Anoiteço e volto a descansar
em uma nuvem cinza
fumando sobre prata
o terror que é viver.
E tudo me parece bem
nesta sala.
Por hoje vou parar de ouvir:
-Ai do que em mim chamo eu-.
Saboreio a umidade
que apodrece nas paredes
e peço abrigo no meio da humanidade.
Mas não, não peço por favor
mas sim por compaixão.
O céu se rompeu em lágrimas.
O terror se acomodou.
Sobreveio uma escuridão tal
como se o sol tivesse morrido.
Os homens sábios já buscam
algum raio de luz.
Dizem que estão escondidos
ao lado da Santa Cruz.
Saboreio a umidade
que apodrece nas paredes
e peço socorro a toda a mediocridade.
Mas não, não peço por favor,
não, nunca por favor
mas sim por compaixão.
Quis afogar minhas mágoas
mas elas nadavam em álcool
como Mark Spitz.
Hoje a lua cheia
decidiu cuspir no sol
e eu não tiro nada claro mais
que um pedaço de canção.
Anoiteço e volto a descansar
sobre uma nuvem azul e cinza.
Me fumo, prata a prata,
a merda de viver.