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Mar Morto

Naeno Rocha

Letra

    Na procela os ventos se quietam
    E passam horários de ponteiros livres,
    Rodopiam as horas porque o tempo embala
    O mar bravio que se separa.
    Deixando à tona superfície velhos lunáticos
    Com talheres de ouro, candelabros de prata.
    No mar das tormentas
    Temperou-se o vento
    E não quebram ondas
    Por sobre os rochedos,.
    E virão peixes à superfície,
    Entregar-se aos pesqueiros
    Como no milagre.
    E serão partidos ao meio
    E o resto será jogado
    Pra que outros peixes comam,
    Na confortável areia.
    Rompeu-se o mar,
    E o farol faz um rastro fino
    Que agora é um caminho
    Não marés, não mares, não águas.
    As praias serão habitadas
    Por pássaros silvestres amazônicos,
    Ou babilônicos que aportarão aqui.
    Calma demais caminhará a onda
    Porque sabe, vem e não volta mais.
    Aqui há sede, a sede dela,
    Onde se perpetua um deserto calmo,
    De cá agora se vê portugal.


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