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Vinte e Quatro Horas

Naeno Rocha

Letra

    Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos
    Horário oficial de Brasília
    Eu estava ardendo em febre, suando.
    E na tiragem dos meus uis, contados
    Uns vinte e tantos mil, falei, quietei
    Aos teus ouvidos.
    E de febril, de puro amor, o meu remédio
    Tomei por tantas horas, em tantos goles
    Que me embriaguei. Caí sobre o teu corpo
    E amando-te voluptuoso, transpirei
    E a febre não passava, passavam as horas
    Já pela madrugada, ainda eu te amava.
    E pela manhã, à hora da voz do Brasil
    Eu te amava.
    Em meu delírio, uma poldra branca
    De crinas alvas e esvoaçantes
    Carregava-me sobre seu dorso.
    E eu galopei vinte e quatro horas
    Sobre um leito de areia fina.

    E nas esquinas por onde andei
    Espantava-me o medo, de cair
    Por tua cabeça,
    Quando te inclinavas a me beijar
    Fazendo. Aproximadamente
    Um tempo impreciso e gigantesco
    Sem que o espólio se passasse.
    Eu na tua crina seguro,
    E tu em meus flancos grudada.
    Amar faz a gente ganhar a medida do tempo,
    E se tem ciência dos espaços
    E não se perde o tempo, se acha,
    Mesmo que estando no silêncio mais escuro,
    Como eram as grutas por onde passamos,
    E vimos dentro animais atônitos,
    Encontrávamos-nos,
    Permitíamos-nos
    Como os ponteiros dos relógios,
    Ora encima, ora embaixo,
    Ora não se distingue o prazer do bom,
    Quão bom é o prazer das horas.


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