Filho do Gueto
Napoleão Mira
Nasci aqui
À beira Sul, à beira nada
Do alto desta colina, sonho a cidade
Sou filho de uma luta abandonada
Perdida no limbo entre a mentira e a verdade
Nasci aqui, à beira-dor, à beira guerra
Em dia de mágoa e solidão
Descobri afinal não ser quem era
Sou apenas um punhal em forma de coração
Nasci aqui, à beira-mar, à beira míngua
Do lado errado do medo
Solta-se o beijo, solta-se a língua
Sussurras-me ao ouvido, guardo o segredo
Sou daqui, deste lugar desinquieto
Feito à medida da minha exaltação
Os torpes chamam-lhe gueto
Eu chamo-lhe raiz, utopia, condição
Yeah, oh oh ohh, oh
Filho do gueto, oh oh, oh oh
De que adianta chorar pelo amanhã
Se o hoje ainda não sorriu para mim
Vestir um futuro que não serve
Despindo o outrora
Trocado por marfim, eh eh eh
No chão, no chão implora um pai que chora
Filho chegou a hora
Partiu e nem plantou
Oh oh ah, não plantou
Filho do gueto
Filho do gueto!
Filho do gueto
Filho do gueto!
Pelas veias cruzadas deste subúrbio
De ramo vida e sanguíneas memórias
Cirando por aí de distúrbio em distúrbio
Em busca de grotescas e efémeras glórias
Não tenho passado, presente, nem futuro
Perco-me, mergulho na multidão
Aplicam-me-se vícios que não auguro
Resgatas-me, escapamos de mão na mão



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