395px

Amor, Eterno Amor 2

Newton Jayme

Devo comparar-te ao verão?
Não ouso
O verão se derrama e se desmente
Um vento leva o êxtase mais formoso
Um sol se excede, outro se ausenta

Há dias em que o céu, de tão dourado
Parece ter ciúme da manhã
E a tarde, quando enfim fecha o seu destino
Já não devolve a luz que prometeu

Mas tu não tens nenhum pacto com o tempo
Nem dependes do capricho do céu azul
Teu corpo não se curva ao calendário
Teu riso não conhece qualquer mês de abril

Se a morte vier cobrar seus dias frios
Se o mundo, distraído, te esquecer
Eu te devolvo à vida pelos versos
Que ainda houver em mim para te enaltecer

E quando a minha voz perder o rumo
E já não souber cantar
Talvez alguém, sem saber de nós dois
Te encontre viva dentro de um refrão

Porque o verão termina, a flor, também
O sol se põe, por mais que brilhe além
Mas enquanto houver alguém que leia e diga
Teu nome em prece baixa, tu serás minha

E se o último amanhecer apagar a luz
E a última janela se fechar
Restará, entre o silêncio e a noite
Uma palavra teimando em respirar

Amor

Meu amor para sempre é você
Só você, meu amor, eterno amor