
Amor, Eterno Amor 2
Newton Jayme
Devo comparar-te ao verão?
Não ouso
O verão se derrama e se desmente
Um vento leva o êxtase mais formoso
Um sol se excede, outro se ausenta
Há dias em que o céu, de tão dourado
Parece ter ciúme da manhã
E a tarde, quando enfim fecha o seu destino
Já não devolve a luz que prometeu
Mas tu não tens nenhum pacto com o tempo
Nem dependes do capricho do céu azul
Teu corpo não se curva ao calendário
Teu riso não conhece qualquer mês de abril
Se a morte vier cobrar seus dias frios
Se o mundo, distraído, te esquecer
Eu te devolvo à vida pelos versos
Que ainda houver em mim para te enaltecer
E quando a minha voz perder o rumo
E já não souber cantar
Talvez alguém, sem saber de nós dois
Te encontre viva dentro de um refrão
Porque o verão termina, a flor, também
O sol se põe, por mais que brilhe além
Mas enquanto houver alguém que leia e diga
Teu nome em prece baixa, tu serás minha
E se o último amanhecer apagar a luz
E a última janela se fechar
Restará, entre o silêncio e a noite
Uma palavra teimando em respirar
Amor
Meu amor para sempre é você
Só você, meu amor, eterno amor



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