exibições de letras 26

O Todo É Um

Nícolas Wolaniuk

Letra

    Esses dias eu cantei lá na querência
    Prum tropeiro que voltava para o pago
    Uma milonga de alquimia e transcendência
    Sobre a cobra que se come pelo rabo
    Enquanto eu lhe dedilhava esse bordão
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga eu conheci pra lá do prata
    Foi na voz de um portenho cantador
    Que trazia entre as folhas da Vulgata
    Letras de canções, cartas de amor
    Cantava a prenda que lembrava de um rincão
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga foi meu pai asquenazita
    Que me legou junto do arco e o violino
    Quando pôs pra tocar no toca-fita
    Uma trova que dizia que era hino
    Quando terminou a gravação
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga eu encontrei adormecida
    No suor de uma cama de puteiro
    Quando achei no encontro das virilhas
    A chave inalcançável de um quarteto
    Falhei em agarrá-la com as mãos
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga eu escutava amiúde
    Entro o eco de uma grande catedral
    Quando escapava da prisão de um alaúde
    Um trovador que trovava em provençal
    A voz renascia num clarão
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga eu conheci no fim da tarde
    Um velho monge segurava com a mão
    Solidão pra conquistar a santidade
    Santidade pra aturar a solidão
    Escutei-a contraposta ao cantochão
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga vem de um campo em outro mundo
    Onde a cana nasce forte sem cultivo
    E quando o vento vem soprando entre os juncos
    Todo campo canto junto em assovio
    Quando ouvi cantar a plantação
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga é a sombra da milonga
    Que existe ao sul do sul na amplidão
    Onde é a morte vira vida e se prolonga
    Onde Deus existe, o tempo não
    À memória ao presságio à intuição
    Quis saber de onde sabia essa canção

    Essa milonga existe desde antes quando
    Sobre as águas se movia meu espírito
    Antes da luz se ouvia um gaucho amansando
    Cavalo chucro na antessala do infinito
    Cantava a China que lembrava de um rincão
    Quis saber de onde sabia canção

    Essa milonga eu conheci lá na querência
    Já era noite eu voltava para pago
    Aprendi sobre alquimia e transcendência
    Sobre a cobra que se come pelo rabo
    Enquanto ele dedilhava esse bordão
    Quis saber de onde sabia essa canção


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