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Alvo do Fogo

Nivaldo D'avilla

Letra

    O sol que arde na terra
    Na eterna ocasião
    Parece mais um fim de guerra
    Espalhado no sertão
    Profundeza deste inferno
    Onde a água é muito rara
    Onde a vida é um tormento
    E a felicidade é cara
    Onde o gado morre magro
    Pois quase feio é só o pasto
    De uma caatinga danada
    Eh, danada, danada!
    O chão carente de chuva
    Feito lábios machucados
    Feito a criança do pão
    Feito o peixe do regato
    Livros de pele e ossos
    Se transportam em pau-de-arara
    Fogem das terras cancerosas
    Que se alastram, mas que saram
    È um Saara eh, é um Saara.
    E as injeções de alimentos
    Doadas em tantos minguados
    Nunca chegam aos doentes
    Tomam os que já são curados
    Não os kamikazes das lavouras
    Reis das terras ressecadas
    Das legiões dos suicidas
    Das terras abandonadas
    Babalaô, cadê Ogum?
    Babalaô, no sertão não tem nenhum Deus?
    Kosi Obá Kan Afi Olorum
    Oh,Kosi Obá
    Ojú Mi Rim Can Laie
    Ojú Mi Rim Can Laie
    Mimo Ni Olodumare
    Pupo Nino Awon Oshelu
    Nico Ni Rorun Wo
    Adope Baba Mi Ago Oxalá!


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