Ein Nachmittag Mit Edgar
Sonnig war es und doch fror ich, enger zog ich meinen Mantel
Auf dem Stuhle hier am Fenster, blätterte in alten Büchern
Frühling war es und doch faulig, modrig rochen diese Seiten
Und die Blüten in den Bäumen glichen klammen Leichentüchern
Dunkel schien es und doch las ich, teigig hing die kranke Sonne
Schickte Strahlen durch das trübe Glas, dass ich sie kaum wahrnahm
Noch früh war es, und doch läutete der Kirchturm Mitternacht schon
So wie immer wenn mich Edgar nachmittags besuchen kam
Ein Nachmittag mit Edgar - Ein Nachmittag in Grauen
Vielleicht sollten wir wieder mal beim Friedhof vorbeischauen
Der Welt zu Angst und Vorsicht raten
Knietief in Verderben waten
Und des nachts mit morschen Spaten
Leichen ihre Zähne klauen
Uma Tarde com Edgar
Estava ensolarado e mesmo assim eu sentia frio, puxei meu casaco mais pra perto
Na cadeira aqui na janela, folheava livros antigos
Era primavera e mesmo assim tinha um cheiro de mofo, essas páginas cheiravam a podridão
E as flores nas árvores pareciam panos úmidos de defunto
Estava escuro e mesmo assim eu lia, a doente luz do sol estava fraca
Mandava raios através do vidro embaçado, que eu mal percebia
Ainda era cedo, e mesmo assim o sino da igreja já badalava a meia-noite
Como sempre quando o Edgar vinha me visitar à tarde
Uma tarde com Edgar - Uma tarde de cinzas
Talvez devêssemos dar uma passada no cemitério de novo
Aconselhar o mundo a ter medo e cautela
Caminhar até a cintura na ruína
E à noite, com pás podres
Roubar os dentes dos cadáveres