Trilce XLVI
La tarde cocinera se detiene
ante la mesa donde tú comiste;
y muerta de hambre tu memoria viene
sin probar ni agua, de lo puro triste.
Mas, como siempre, tu humildad se aviene
a que le brinden la bondad más triste.
Y no quieres gustar, que ves quien viene
filialmente a la mesa en que comiste.
La tarde cocinera te suplica
y te llora en su delantal que aún sórdido
nos empieza a querer de oírnos tanto.
Yo hago esfuerzos también porque no hay valor
valor para servirse de estas aves.
¡Ah! qué nos vamos a servir ya nada.
Trilce XLVI
A tarde cozinheira se detém
na mesa onde você comeu;
e morta de fome sua memória vem
sem provar nem água, de tão pura tristeza.
Mas, como sempre, sua humildade se conforma
com a bondade mais triste que lhe oferecem.
E você não quer agradar, pois vê quem chega
filialmente à mesa onde você comeu.
A tarde cozinheira te suplica
e chora em seu avental que ainda sujo
começa a nos querer de tanto ouvir-nos.
Eu também me esforço, pois não há coragem
coragem para se servir dessas aves.
Ah! o que vamos nos servir já não é nada.