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Precaução Inútil (Eu Vi Num Armazém)

Noel Rosa

Letra

    Eu vi num armazém de Niterói
    Um velho que se julga herói
    E teme em ser conquistador

    Lá no Banco do Brasil
    Depositou mais de três mil
    Botando água no vinho do barril

    Seus lábios só se abriram para falar
    Das velhas contas a cobrar
    Dos que morreram sem pagar

    Eram dois lábios agressores
    Dois grandes cobradores
    Dos seus devedores

    Seu cabelo tinha cor de burro
    Quando foge do amansador
    Seus olhos eram circunflexos
    Perplexos e desconexos

    Mãos de usuários, braços de cigalho
    Corpo de macaco chipanzé maduro
    Enfim, eu vi neste velhote
    Um imortal pão-duro

    Seu cabelo tinha cor de burro
    Quando foge do amansador
    Seus olhos eram circunflexos
    Perplexos e desconexos

    Um bigodão na cara indiscreta
    Feito bicicleta com guidão de fora
    Enfim, o velho nunca mais
    Se casa com a senhora

    Mãos de usuários, braços de cigalho
    Corpo de macaco chipanzé maduro
    Enfim, eu vi neste velhote
    Um imortal pão-duro


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