De Nihilo Nihil
Omnis ut est per se natura
Duabus constitit in rebus
Nam corpora sunt inane
Haec in quo sita sunt et qua diversa moventur
Nam quacumque vacat spatium
Quod inane vocamus corpus ea non est
Qua cumque tenet se corpus
Ea vacuum nequaquam constat inane
Corpora sunt porro partim primordia rerum
Partim concilio quae constant principiorum
Nec tamen undique corporea stipata tenentur omnia natura
Namque est in rebus inane
Sunt igitur solida primordia simplicitate
Quae minimis stipata cohaerent partibus arte
Non ex illorum conventu concilitata
Sed magis aeterna pollentia simplicitate
Unde neque avelli quicquam neque deminui iam concedit
Natura reservans semina rebus
Omne quod est nulla regione finitum est
Namque extremum debeat habere
Nunc extra summam quoniam nihil esse fatendum
Non habet extremum caret ergo fine modoque
Do Nada, Nada Surge
Tudo que existe por si só é natureza
Se constituiu em duas coisas
Pois os corpos são vazios
Estão onde estão e se movem de maneiras diferentes
Pois onde quer que haja espaço
O que chamamos de corpo vazio não é
Onde quer que um corpo se sustente
Esse vazio não se mantém como um vácuo
Os corpos são, em parte, os primórdios das coisas
Em parte, a união que sustenta os princípios
E, no entanto, não são mantidos por toda parte, tudo é natureza
Pois há um vazio nas coisas
Portanto, existem primórdios sólidos na simplicidade
Que se unem em partes mínimas com arte
Não é pela reunião deles que se formam
Mas sim por uma simplicidade eterna e poderosa
Da qual nada pode ser arrancado ou diminuído
A natureza preserva as sementes das coisas
Tudo que existe não tem limites em nenhuma região
Pois o extremo deve ter um fim
Agora, além do todo, pois é preciso admitir que nada existe
Não tem um extremo, portanto carece de fim e forma.