2 de Abril de 2025, às 12:03
A disputa judicial entre os irmãos e sócios da Laboratório Fantasma — Evandro Roque de Oliveira (Fióti) e Leandro Roque de Oliveira (Emicida) — ganhou novos rumos com graves acusações de desvio de dinheiro.
Fióti acionou a Vara Empresarial do Foro Central de São Paulo, alegando que Emicida bloqueou seu acesso às contas da gravadora e revogou uma procuração que lhe atribuía poderes de gestão.
Emicida, por sua vez, acusou o irmão de ter desviado R$ 6 milhões da empresa. Segundo a defesa do rapper, essas transferências teriam ocorrido de junho de 2024 a fevereiro de 2025, da conta corporativa para a conta pessoal de Fióti.
Já a defesa de Fióti contesta a acusação e sustenta que todas as movimentações foram registradas de forma transparente, seguindo os procedimentos habituais.
Fióti afirma que, até 2010, ambos possuíam 50% das cotas da Lab Fantasma, mas que, após mudanças na estrutura societária, ele ficou apenas com 10%, enquanto Emicida manteve 90%. A situação se complicou ainda mais após a saída da cantora Drik Barbosa, decisão que Fióti atribui ao gerenciamento unilateral de Emicida.
Drik Barbosa, que foi uma das atrações do Lollapalooza 2025, decidiu encerrar sua parceria com a Lab Fantasma depois de uma divergência com os sócios da empresa, que começou depois de uma troca de mensagens acalorada envolvendo a gestão interna do selo.
Segundo informações do Portal Leo Dias, tudo teve início quando Fióti convocou uma reunião em 13 de março para esclarecer um incidente não especificado que teria ocorrido no dia anterior.
Em resposta, Emicida — que figura como Sócio Administrador da Lab Fantasma — enviou uma mensagem a todos os colaboradores, desautorizando o encontro e liberando a equipe da obrigatoriedade de comparecer.
Drik Barbosa, que vinha sendo gerenciada por Fióti, interveio com uma mensagem no grupo de WhatsApp, demonstrando preocupação com a decisão de Emicida de afastar o irmão das atividades de gestão. Ela ressaltou que tal medida afetava diretamente sua carreira e sua vida pessoal, deixando claro que participaria da reunião para entender melhor a situação.
Apesar das tentativas de apaziguar as coisas, o impasse levou à saída de Drik Barbosa da empresa. Em um e-mail direcionado aos sócios, a cantora declarou sentir-se muito abalada e desrespeitada, comunicando oficialmente seu desligamento do quadro de artistas da Lab Fantasma.
Fundada em 2009, no Jardim Cachoeira (Zona Norte de São Paulo), a Lab Fantasma não é apenas uma marca de roupas, mas também uma gravadora que cuida das carreiras de artistas como Rael e a própria Drik Barbosa.
Em março deste ano, Fióti recorreu à Justiça alegando que Emicida havia retirado seu acesso às finanças da empresa e anulado a procuração que igualava os poderes de ambos.
Diante disso, Emicida anunciou o fim da parceria artística com Fióti, dizendo que o irmão não representará mais seus interesses profissionais. Em paralelo, veio a público um acordo firmado em dezembro de 2024, no qual, segundo Fióti, deveria haver uma gestão compartilhada e conhecimento mútuo sobre grandes transações financeiras.
O juiz Guilherme de Paula Nascente Nunes, responsável pelo caso, negou o pedido de liminar de Fióti por entender que não havia provas suficientes de risco iminente ou má-fé de Emicida. O magistrado ressaltou que, formalmente, Emicida tem 90% da empresa e aparece como administrador no contrato social.
Enquanto o processo segue, a tensão familiar se reflete até nas redes sociais, onde os irmãos deixaram de se seguir, e até a mãe, Dona Jacira, parou de seguir Emicida. O desfecho ainda é incerto, e mais desdobramentos são aguardados conforme a ação avança na Justiça.
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