Luto na MPB: morre Lô Borges, fundador do Clube da Esquina, aos 73 anos

O artista estava internado na UTI desde 17 de outubro devido a uma intoxicação por medicamentos.

Por Gabriela Teixeira

3 de Novembro de 2025, às 10:54


O cantor e compositor Lô Borges, um dos nomes mais marcantes da música brasileira, faleceu aos 73 anos em Belo Horizonte.

Fundador do Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento, o artista teve a morte confirmada pela família nesta segunda-feira (3).

Lô Borges estava internado na UTI desde 17 de outubro, após sofrer uma intoxicação por medicamentos.

Durante o período de hospitalização, ele precisou de ventilação mecânica e, em 25 de outubro, passou por uma traqueostomia.

As origens do Clube da Esquina

Nascido Salomão Borges Filho, Lô era o sexto de 11 irmãos e cresceu no bairro Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte. Uma mudança temporária da família para o centro da cidade, por conta de reformas na casa, acabou mudando o rumo de sua vida — e da música brasileira.

Foi ali, ainda aos 10 anos, que ele conheceu Milton Nascimento, então com 20. O encontro aconteceu nas escadarias do Edifício Levy, na Avenida Amazonas.

Pouco tempo depois, Lô conheceu também Beto Guedes, da mesma idade, que andava de patinete pelas ruas do centro.

De volta a Santa Tereza, Lô mergulhou de vez no ambiente musical do bairro boêmio. Mesmo morando longe, Milton continuava frequentando a casa da família Borges.

Um dia, ele apareceu por lá perguntando por Lô, que estava em um local conhecido como “clube da esquina”. O jovem compositor mostrou a harmonia que vinha trabalhando, e Milton criou a melodia. Assim nascia uma das parcerias mais importantes da MPB.

Milton Nascimento e Lô Borges
Milton Nascimento e Lô Borges. Reprodução/Instagram

O movimento ganhou forma nas esquinas das ruas Divinópolis e Paraisópolis, onde nasceram canções que atravessariam gerações.

O legado de Lô Borges

O Clube da Esquina se transformou em movimento e também em álbum — lançado em 1972, o disco é considerado o maior da história da música brasileira e, internacionalmente, foi eleito o nono melhor de todos os tempos pela revista norte-americana Paste Magazine.

Entre os clássicos de Lô Borges estão Um Girassol da Cor de Seu Cabelo, O Trem Azul e Paisagem da Janela. No mesmo ano do lançamento do álbum com Milton, ele apresentou seu primeiro disco solo, o cultuado “Disco do Tênis“.

O sucesso repentino o levou a se afastar dos palcos por um tempo, vivendo em Arembepe, na Bahia. Mesmo longe dos holofotes, ele continuou compondo.

Voltou à ativa em 1979, mais maduro, com o disco A Via Láctea, que considerava um dos seus melhores trabalhos. Sua primeira turnê nacional aconteceu em 1984, com o álbum Sonho Real.

Já nos anos 1990, a parceria com Samuel Rosa na música Dois Rios o reconectou a uma nova geração de fãs.

Desde 2019, Lô mantinha o hábito de lançar um álbum inédito por ano. Seu último trabalho, Céu de Giz, feito em parceria com Zeca Baleiro, saiu em agosto de 2025.

Símbolo de liberdade criativa e figura essencial na renovação da MPB dos anos 1970, Lô Borges deixa um legado que segue inspirando músicos e ouvintes no Brasil e no mundo.


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