10 de Abril de 2026, às 12:00
O universo da música se despede de uma de suas figuras mais influentes. Afrika Bambaataa, o rapper e DJ que ajudou a fundar a cultura hip-hop, faleceu na madrugada desta quinta-feira (9), aos 68 anos.
De acordo com informações divulgadas inicialmente pelo portal TMZ, Bambaataa foi vítima de complicações causadas por um câncer.

Nascido Lance Taylor no Bronx, Nova York, o artista transitou da liderança da gangue Black Spades para se tornar um filósofo da união urbana, deixando a violência para trás após uma viagem à África e o encantamento pela cultura Zulu.
Sua morte encerra uma trajetória de mais de quatro décadas que uniu tecnologia, ritmo e consciência comunitária.
Em 1982, Afrika Bambaataa lançou Planet Rock com o grupo Soulsonic Force, canção considerada um marco divisor na história da música. A faixa utilizou de forma inovadora a bateria eletrônica Roland TR-808 e recriou melodias do grupo alemão Kraftwerk, fundindo o som robótico europeu com o groove das ruas de Nova York.
Essa experimentação deu origem ao gênero electro e plantou as sementes para o surgimento do techno de Detroit e da house music de Chicago. O impacto de sua obra é tão profundo que o DNA de Bambaataa pode ser encontrado em gêneros contemporâneos como o synth-pop, o trap e a bass music global.
A influência de Afrika Bambaataa atravessou fronteiras e encontrou solo fértil no Brasil. As batidas secas e os graves de Planet Rock serviram como base para as famosas melôs que embalaram os bailes do Rio de Janeiro nas décadas de 1980 e 1990, tornando-se o pilar fundamental para o nascimento do funk carioca.
O próprio Bambaataa reconhecia essa ligação e descrevia o funk carioca como parte de sua família musical. Ao longo de sua carreira, ele visitou o país diversas vezes, realizando shows em festivais e apresentações gratuitas, como a ocorrida na Virada Cultural de São Paulo em 2008.
Em 2016, consolidou sua relação com a música brasileira ao gravar a faixa Tambor em parceria com a cantora Fernanda Abreu.
Para além das picapes, Afrika Bambaataa foi o fundador da Universal Zulu Nation, organização que promoveu a paz e a diversão através dos quatro pilares do hip-hop: o DJ, o MC, o breaking e o graffiti. Ele defendia que o funk e o rap deveriam carregar mensagens sociais para ajudar na transformação de comunidades carentes.
Apesar do legado artístico incontestável, os últimos anos de vida do músico foram marcados por turbulências judiciais.
Bambaataa enfrentou graves acusações de abuso sexual e tráfico humano ocorridos entre as décadas de 1980 e 1990, chegando a ser condenado em 2025 ao pagamento de um acordo após uma decisão judicial à revelia.
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