Error de Reparto
He pasado la vida ensayando sonrisas
Repitiendo guiones frente al espejo
Fui héroe, villano, amor de revista
Pero hace años que no sé quién reflejo
Gané premios por fingir sentir
Me aplaudieron por saber mentir
Y ahora, frente al público vacío
Ni yo recuerdo cómo fingir el frío
Los focos me ciegan, no brillan igual
Aplauden mis máscaras, no mi final
Soy el actor que olvidó actuar
Ya no sé cuándo reír ni cuándo llorar
Viví en películas de la vida de otros
Y olvidé escribir la mía en el fondo
Sí, fui todos, pero nunca fui yo
Y el telón cayó sin decir adiós
Aprendí a llorar sin lágrimas reales
A besar por libreto y no por males
El público gritaba: ¡Qué emoción!
Y yo solo pensaba: ¿Dónde quedó mi versión?
A veces sueño que olvido mi papel
Que subo al escenario sin saber quién ser
Y el silencio suena tan honesto
Que dan ganas de aplaudir el resto
Porque fingir cansa más que vivir
Y ya no hay guion que me haga seguir
Soy el actor que olvidó actuar
Ya no sé si la vida fue un ensayo más
Fingí amor, rabia y felicidad
Pero nunca supe si era verdad
Sí, fui todos, pero nunca fui yo
Y el público se fue y solo quedo yo
Tal vez el error fue pensar que el alma se graba en cinta
Que podía editar mis caídas, cortar mis heridas
Pero en esta toma final, sin luces ni voz
Descubrí que ser sincero también da pavor
Soy el actor que olvidó actuar
Sin libreto, sin público, sin disfraz
Y si esto es el final de la función
Aplaudiré mi confusión
Porque hoy, por fin, sin dirección
Me atreví a ser mi propia versión
Erro de Reparto
Passei a vida ensaiando sorrisos
Repetindo roteiros na frente do espelho
Fui herói, vilão, amor de revista
Mas há anos não sei quem eu reflete
Ganhei prêmios por fingir sentir
Me aplaudiram por saber mentir
E agora, diante do público vazio
Nem eu lembro como fingir o frio
As luzes me cegam, não brilham igual
Aplaudem minhas máscaras, não meu final
Sou o ator que esqueceu de atuar
Já não sei quando rir nem quando chorar
Vivi em filmes da vida dos outros
E esqueci de escrever a minha no fundo
Sim, fui todos, mas nunca fui eu
E a cortina caiu sem dizer adeus
Aprendi a chorar sem lágrimas reais
A beijar por roteiro e não por males
O público gritava: Que emoção!
E eu só pensava: Onde ficou minha versão?
Às vezes sonho que esqueço meu papel
Que subo ao palco sem saber quem ser
E o silêncio soa tão honesto
Que dá vontade de aplaudir o resto
Porque fingir cansa mais que viver
E já não há roteiro que me faça seguir
Sou o ator que esqueceu de atuar
Já não sei se a vida foi um ensaio a mais
Fingi amor, raiva e felicidade
Mas nunca soube se era verdade
Sim, fui todos, mas nunca fui eu
E o público foi embora e só fiquei eu
Talvez o erro foi pensar que a alma se grava em fita
Que podia editar minhas quedas, cortar minhas feridas
Mas nesta tomada final, sem luzes nem voz
Descobri que ser sincero também dá medo
Sou o ator que esqueceu de atuar
Sem roteiro, sem público, sem disfarce
E se este é o final da função
Aplaudirei minha confusão
Porque hoje, finalmente, sem direção
Me atrevi a ser minha própria versão