
O Jardim Subterrâneo
O Jardim Subterrâneo
Fugindo de um arco-íris, Sophia
Após pular uma estaca de cerca abandonada em um dia de Sol
Correu como nunca antes em sua vida
Correu como se suas cores fossem espelhos quebrados
Até que tropeçou em uma tampa de bueiro e caiu
Caiu fundo, tão fundo que esqueceu seu próprio nome
E encontrou um jardim subterrâneo
As flores falavam, mas falavam mal
Maldiziam Sophia e riam com dentes de cascalho
Seu suor cheirava a tédio
Os fungos fumavam charuto
Os gatos tinham antenas de TV
E as borboletas falavam sobre a guerra
Sophia caminhava entre o jardim
Como quem lê um livro de ponta-cabeça
Deparou-se com um lago de tinta e escreveu um poema
Usou um relógio que cuspia pregos
Enquanto um coral de bem-te-vis
Cantava a abertura de um antigo programa de rádio
Então, Sophia vê novamente o arco-íris
Desesperada, tenta correr
Mas o chão é de gelatina
Com os olhos vidrados
E a boca costurada com linho branco
Sophia observa o delírio consumir o que lhe restava de consciência
E, enquanto lamentava seu triste destino
Com um suspiro que subiu sete andares de sua alma
Calmamente diz
Aah! Aah! Aah!



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