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Retratos do Passado

Onildo Barbosa

Letra

    Meu sertão de minha vida.
    Caminhos por onde andei
    Casa velha onde nasci
    Açudes que me banhei.
    Estradas de chão batido
    Chapéu de couro curtido
    Lua cheia de verão,
    Cheiro de curral de gado
    São retratos do um passado
    Na minha imaginação.

    Caminhos tortos, riacho,
    Porteira aberta, vazante.
    Gravatá brotando cacho
    Um sol se pondo distante
    Rastros de pássaros na areia,
    Sorriso de lua cheia,
    Cantiga de azulão,
    Um rouxinol no telhado
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.

    Um corocoxó de sapos
    Brindando a água barrenta
    Cabritos dando sopapos
    Enquanto a cabra amamenta
    Lençol de saco estendido
    Um entardecer chovido
    Um pé de manjericão
    Num pote velho quebrado
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.

    Um ninho de patativa
    Feito de folha e raiz
    A plantação de maniva
    Um sertanejo feliz.
    Boi comendo na baixada,
    Uma viola afinada
    Um poeta, uma canção,
    Um martelo agalopado,
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.

    Uma jurema florida
    Numa manhã de neblina
    Uma cabana pendida,
    Uma cerca de faxina
    Uma briga de caçote,
    A jia dando pinote
    Na beira do cacimbão
    Um cururu escanchado
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.

    Uma rolinha cantando
    No galho da goiabeira
    Um jumento se coçando
    Nas estacas da porteira
    Uma fogueira queimando
    O cheiro do milho assando
    No braseiro do fogão,
    Rádio de pilha ligado
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.

    Um jumento relinxando
    Uma jumenta no cio
    A meninada brincando
    De peteca e currupio
    Umbuzeiro de estrada
    Uma algaroba copada
    Catagem de algodão,
    Um bizerro encurralado
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.


    Na forquilha da cozinha
    Um ninho de jão de barro
    Uma rã pequenininha,
    Escondida atras do jarro
    Num formato de atilho
    14 espigas de milho
    Penduradas no oitão,
    Um marimbondo arranchado
    São retratos do passado
    Na minha imaginação.


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