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A Distância

Orakle

Le Distant

A moi le silence aux mille yeux
Au nom d'un solipsisme de surface
Lorsque l'homme voile ce qui se passe
Je m'écarte et n'en vois que mieux
Un vide apparent s'ouvre enfin, sans réticence
Au torrent où s'abreuvent mes absences
Une ombre lointaine, ma discordance
Dissimulant ma libre errance...

A moi la distance hurlante, la profusion
Loin des multitudes appauvries
Une perpétuelle résurrection

Là où je n'ai plus à craindre mes nausées
Je me déverse et rend en toute tranquilité
Sans désabuser mon autre, non-éclaboussé
Je souffre mais m'allège de ce qu'il n'y a plus à juger

Je déclare ma profonde altérité
A l'ombre souriante des sanctuaires du soir
Je découvre le sens étouffé par d'autres voix
Mais qu'enfin je peux entrevoir...

Et honte à ceux qui calomnient la vie
Vous qui si souvent glorifiez l'ennui
Que l'indépendance, solution d'une utile sélection
Vous épuise sous le poids nocif de votre adoration

N'y a-t-il point d'ouïes pour ce vacarme qui isole?
Le narcotique devient la vie, oublie toute compagnie
Et halte! halte! Halte à toutes nos phobies
L'habit du silence luit pour les sens qui désolent

A Distância

A mim o silêncio com mil olhos
Em nome de um solipsismo superficial
Quando o homem encobre o que acontece
Eu me afasto e vejo ainda melhor
Um vazio aparente se abre enfim, sem hesitação
No torrente onde se saciam minhas ausências
Uma sombra distante, minha discordância
Dissimulando minha livre errância...

A mim a distância gritante, a profusão
Longe das multidões empobrecidas
Uma ressurreição perpétua

Lá onde não preciso temer minhas náuseas
Eu me despejo e me entrego em toda tranquilidade
Sem desiludir meu outro, não salpicado
Eu sofro, mas me alívio do que não há mais a julgar

Eu declaro minha profunda alteridade
À sombra sorridente dos santuários da noite
Descubro o sentido sufocado por outras vozes
Mas que finalmente posso vislumbrar...

E vergonha para aqueles que caluniam a vida
Vocês que tantas vezes glorificam o tédio
Que a independência, solução de uma seleção útil
Os esgota sob o peso nocivo da sua adoração

Não há ouvidos para esse barulho que isola?
O narcótico se torna a vida, esquece toda companhia
E pare! pare! Pare com todas as nossas fobias
O manto do silêncio brilha para os sentidos que desolam