exibições de letras 242

Prosa Em Família

Os Fagundes

Letra

    (Os Cavaleiros da Paz)
    En la pampa del infierno
    Ninguna cerca se grampa
    O homem é o Deus na terra
    E o centauro a sua estampa
    Os meus olhos transnoitados
    Como estrelas pirilampas
    São um mapa de casco e flores
    Quando cavalgo na pampa

    Vem nos bastos paissandu
    Nas chilenas cantaderas
    No fio das guajuvirá
    Nos bulbos de alma leguera
    Vem nos palas curraleiros
    Na humildade das taquaras
    Onde tremulam bandeiras
    Pra se esquecerem fronteiras

    Por sorte, hoje encilho um verso
    Como quem monta um BT
    Não estou só, estou de a cavalo
    Aonde o pago me vê
    Estrada feita na guerra
    Na amizade se refaz
    Por que aí vão de a cavalo
    Os cavaleiros da paz

    Mas, tu falas em cavaleiro da paz
    Tio Nico, e eu me lembro
    Me lembro de nós
    E um grupo de guapos gaúchos
    Na Cordilheira dos Andes
    Atravessando inclusive o deserto da Argentina
    E na nossa cruzada, nós chegamos lá em Viña del Mar
    E eu me lembro que levei uma água daqui do Atlântico
    Eu era o presidente da delegação
    Mas tu, Nico, eras o grande comandante
    Dos cavaleiros da paz, que beleza
    E nós cravamos em cima da cordilheira
    O pavilhão sagrado, a bandeira sagrada
    Do município de Alegrete
    Até hoje me arrepio só de falar

    Esse Alegrete, né pai, é a marca nossa dos Fagundes
    Por onde a gente anda aí
    A gente leva sempre o Alegrete no peito
    Cantei ao lado do Paulinho, meu mano, caçula
    Em Hong Kong o Canto Alegretense, no México, em Havana

    Lá na China?
    Na China
    Mas eu também já cantei nas China esse Canto Alegretense

    Eu me lembro também, tio Nico, nós lá no Museu do Louvre
    Onde a tia Zilá tinha sonhado que um dia
    Os Fagundes cantariam o Canto Alegretense
    Nós estávamos lá, ao lado do Borghettinho
    Do Kleiton e Kledir, eu, Ernesto e o senhor
    E ao mesmo tempo lembrar lá das gôndolas de Veneza
    Que nós também cantamos o Canto Alegretense
    Com uma equipe maravilhosa de gaúchos
    Acho que assim a gente vai demonstrando por onde passa
    O amor e a paixão que nós temos pela nossa terra Natal
    Pelo nosso Alegrete

    Não me perguntes onde fica o Alegrete
    Segue o rumo do teu próprio coração
    Cruzarás pela estrada algum ginete
    E ouvirás toque de gaita e violão

    Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde
    Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
    Tem o Sol como uma brasa que ainda arde
    Mergulhado no Rio Ibirapuitã

    Ouve o canto gauchesco e brasileiro
    Desta terra que eu amei desde guri
    Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
    Pedra moura das quebradas do Inhanduy

    Ouve o canto gauchesco e brasileiro
    Desta terra que eu amei desde guri
    Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
    Pedra moura das quebradas do Inhanduy

    E na hora derradeira que eu mereça
    Ver o Sol alegretense entardecer
    Como os potros vou virar minha cabeça
    Para os pagos no momento de morrer

    E nos olhos vou levar o encantamento
    Desta terra que eu amei com devoção
    Cada verso que eu componho é um pagamento
    De uma dívida de amor e gratidão

    Ouve o canto gauchesco e brasileiro
    Desta terra que eu amei desde guri
    Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
    Pedra moura das quebradas do Inhanduy

    Ouve o canto gauchesco e brasileiro
    Desta terra que eu amei desde guri
    Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
    Pedra moura das quebradas do Inhanduy

    A família é da fronteira
    De velhos troncos campeiros
    Com raízes no Inhanduy

    É gente de lenço branco
    Cor morena e biso franco
    Do mais velho ao mais guri

    Que se reuniram um dia
    Por sugestão e magia
    Do velho

    E todos disseram
    Que além do horizonte
    Há um mundo tranquilo
    Que todos esperam um dia encontrar

    E todos falaram
    Cantaram e gritaram
    Que além do horizonte
    Existem as coisas mais lindas do mundo

    De um mundo tão lindo, formado de luz
    Disseram somente, pois ver ninguém viu

    Não viu a criança, que ontem nasceu
    E os olhos abriu sem nada enxergar

    Não viram o moço e a moça bonita
    Que sonham em casar e a vida viver

    Não viu o velhinho, de vida no fim
    Que vive rezando de eterna esperança de muito viver

    E todos disseram que além do horizonte
    Arco-íris, miragens, só existe o amor

    Palavra tem força, e todos têm fé
    Disseram somente, pois ver ninguém viu

    E eu que andei, que andei, e andei
    E um dia cheguei em cima do monte
    E outro horizonte, e outro, mais outro
    Sequência de rumos levando para um mesmo caminho sem flor

    E louco, gritei
    Gritei por piedade, gritei de saudade
    Gritei de tristeza, de falta de amor

    Um dia voltei
    Voltei sem contar pro moço, pra moça
    Pro velho, pra todos que tudo é mentira
    O além do horizonte é apenas um dia que volta amanhã

    Por isso eu suplico, ó Deus meu senhor
    Que deixes no sonho do moço, da moça
    Do velho, de todos, um mundo bonito que ali eu não vi

    Que cantem cantigas de mil esperanças
    Cantigas bonitas, que fiz e perdi


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Os Fagundes e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção