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Letra

    Ele acordou de manhã bem cedinho
    Sentou na cama, deu uma espreguiçada
    Bateu a terra, calçou a botina
    Vestiu a calça de brim remendada
    Andou no quarto, abriu a janela
    Com a camisa desabotoada
    Ficou ali por uns 15 minutos
    Ouvindo o canto da passarada
    Gostosa brisa da fresca manhã
    Trazia o cheiro da terra molhada
    No horizonte, que então clareava
    Ficou olhando a barra avermelhada
    Ergueu os olhos e disse: Obrigado!
    E arrematou com a voz embargada
    Que tinha tudo, no pouco que tinha
    A paz de Deus na singela morada!

    Ele não era qualquer um
    Lembro e o meu pranto cai
    Ele, aquele homem rude
    Foi meu herói, meu tudo
    Foi meu querido pai!

    Pisando estrume ele entrou no curral
    Pra tirar leite da vaca malhada
    Foi na biquinha encheu a purunga
    Pegou a lima e amolou a enxada
    Tratou dos porcos também das galinhas
    Pôs o chapeu de palha trançada
    E então pegou o caminho da roça
    Pra mais um dia de luta pesada!
    E foi um dia, ele não acordou
    No prego, a calça ficou pendurada
    Ninguém bateu a terra da botina
    E a janela continuou fechada
    Naquele dia ele não foi pra roça
    Sentido oposto, foi por outra estrada
    Eu fui com ele, mas voltei sozinho
    Não voltou mais pra singela morada!

    Ele não era qualquer um
    Lembro e o meu pranto cai
    Ele, aquele homem rude
    Foi meu herói, meu tudo
    Foi meu querido pai!

    Composição: Pedro Ornellas. Essa informação está errada? Nos avise.

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