Píntame
Píntame la mueca del artista
Aunque queden a la vista
Mis más negros resplandores
Píntame junto a las flores
Del jardín de los sin tierra
Píntame en tiempos de guerra
Y dibujame una sierra donde andar
Píntame la risa del payaso
Aunque caigan a pedazos
Los muros de las ciudades
Píntame en los Arrayanes de la selva valdiviana
Siete veces por semana
Y dibujame unas alas pa' volar
Bórrame esta pena
Que mis letras envenena
Con tus lápices de magia
Colorea la nostalgia
Píntame con cien colores claros
Que te alumbre como un faro
Cuando pierdas la esperanza
Píntame en un bosque raro
Con un arco y una lanza
No será ninguna falsa
Mi guitarra es como un arma pa' cazar
Píntane cruzando la Alameda
Volando sobre los autos
Pa' estrecharte en un abrazo
Ven dibuja mis canciones
Con tus ojos, con tus brazos
Ven dibujame los pasos
Bien al lado de los tuyos por si acaso
Bórrame el orgullo
Hazme libre y hazme tuyo
Que la vida se me escapa
Que la muerte ya me atrapa
Píntame durmiendo en tu regazo
Y en las manos algún faso
Pa' fumar por la mañana
Píntame un poncho de lana
Pa' protegerme del frío
Píntame un barco y un río
Que al atardecer te invito a navegar
quartilho
Pinte-me a careta do artista
Embora eles estejam à vista
Meus mais escuros olhares
Pinte-me ao lado das flores
Do jardim dos sem-terra
Pinte-me em tempos de guerra
E me desenhe uma serra onde andar
Pinte-me a risada do palhaço
Mesmo se eles desmoronarem
As paredes das cidades
Pinte-me nos Arrayanes da selva Valdiviana
Sete vezes por semana
E me desenhe algumas asas para voar
Bórrame esta dor
Que minhas letras envenenem
Com seus lápis mágicos
Cor a nostalgia
Pinte-me com cem cores claras
Deixa você brilhar como um farol
Quando você perde a esperança
Pinte-me em uma floresta estranha
Com um arco e uma lança
Não será falso
Minha guitarra é como uma arma para caçar
Píntane cruzando a Alameda
Voando sobre os carros
Para te abraçar em um abraço
Venha desenhar minhas músicas
Com seus olhos, com seus braços
Venha me desenhar os passos
Bom ao seu lado por via das dúvidas
Arranhe-me o orgulho
Me liberte e me torne seu
Que a vida me escapa
Aquela morte já me pega
Pinte-me dormindo no seu colo
E nas mãos alguns faso
Para fumar de manhã
Pinte-me um poncho de lã
Para me proteger do frio
Pinte-me um barco e um rio
Que ao pôr do sol te convido a velejar