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A Máscara

Paquita Bernardo

La Enmascarada

Cuando quise, en la vida,
confiado, sólo una vez,
la mujer de mis sueños
fue traidora después...
Aquellas manos tan cálidas
ocultaban el puñal
que mató, cuando apenas germinó,
mi fe sentimental.

Hoy he encontrado a la impía
en un baile, enmascarada;
la delató su mirada
y una farsa combiné.
Fingí no reconocerla,
fui galante y ocurrente,
y luego, en palabra ardiente,
honda pasión declaré.
Al creer conquistada
mi amorosa locura,
de su triunfo segura
su antifaz se sacó.
Al mirarle a los ojos
recordé emocionado
la traición del pasado
y le dije con rencor...

"Para qué me has mostrado
tu cara sin antifaz,
si de hacerme tu esclavo
no es tu cara capaz...
En ella, risas o lágrimas,
no dicen nunca verdad.
¡Si sabré que tu imagen viva y fiel
también es antifaz!..."

A Máscara

Quando quis, na vida,
confiante, só uma vez,
a mulher dos meus sonhos
foi traidora depois...
Aquelas mãos tão quentes
escondiam a adaga
que matou, quando mal brotou,
minha fé sentimental.

Hoje encontrei a impiedosa
num baile, mascarada;
seus olhos a delataram
e uma farsa eu combinei.
Fingi não reconhecê-la,
fui galante e esperto,
e depois, em palavras ardentes,
uma paixão profunda declarei.
Ao acreditar conquistada
minha loucura amorosa,
do seu triunfo certa
sua máscara tirou.
Ao olhar em seus olhos
me emocionei lembrando
a traição do passado
e lhe disse com rancor...

"Pra que me mostraste
teu rosto sem máscara,
se pra me fazer de escravo
não é teu rosto capaz...
Nele, risadas ou lágrimas,
nunca dizem a verdade.
Sei que tua imagem viva e fiel
também é uma máscara!"

Composição: Francisco García Jiménez