395px

Janelinha do Subúrbio

Pascual Contursi

Ventanita de arrabal

En el barrio Caferata
en un viejo conventillo,
con los pisos de ladrillo,
minga de puerta cancel,
donde van los organitos
su lamento rezongando,
está la piba esperando
que pase el muchacho aquel.

Aquel que solito
entró al conventillo,
echao a los ojos el
funyi marrón;
botín enterizo,
el cuello con brillo,
pidió una guitarra
y pa'ella cantó.

Aquel que, un domingo,
bailaron un tango;
aquel que le dijo:
"Me muero por vos";
aquel que su almita
arrastró por el fango,
aquel que a la reja
más nunca volvió.

Ventanita del cotorro
donde sólo hay flores secas,
vos también abandonada
de aquel día... se quedó.

El rocío de sus hojas,
las garúas de la ausencia,
con el dolor de un suspiro
tu tronquito destrozó.

Janelinha do Subúrbio

No bairro Caferata
num velho cortiço,
com os pisos de tijolo,
sem porta de entrada,
donde vão os organistas
seus lamentos resmungando,
está a garota esperando
que passe aquele rapaz.

Aquele que sozinho
entrou no cortiço,
com os olhos cheios de
um funyi marrom;
bota de cano longo,
com o colarinho brilhando,
pediu um violão
e pra ela cantou.

Aquele que, num domingo,
dançaram um tango;
aquele que disse:
"Tô morrendo por você";
aquele que sua alma
arrastou pela lama,
aquele que na grade
nunca mais voltou.

Janelinha do cotorro
donde só há flores secas,
você também abandonada
daquele dia... ficou.

O orvalho das suas folhas,
as chuvas da ausência,
com a dor de um suspiro
tua tronquinho despedaçou.

Composição: