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Quem Vai Comigo?

Patricio Manns

¿quién Va Conmigo?

Permiso
con todo respeto revolucionario,
permiso, camarada.
Permiso al fusilado,
al que murió combatiendo.
Permiso a aquel que torturado
gritó dolor,
gritó su odio,
pero guardó silencio
sobre Juan,
Manuel
y el resto del partido.
Permiso a ti,
combatiente de hoy,
combatiente clandestino.

Quiero decir
es mi última canción,
ésta que canto.
Ya me despido
de las antiguas ciudades
al lado de los ríos.

No puedo irme en silencio.
No es justo decir
adiós, hasta la vista.
No. Quien quiera acompañarme
va conmigo.
No me despido
extiendo invitaciones:
yo voy a combatir,
¡quién va conmigo!
Y el que no pueda
se queda
pero combatiendo:
en la industria,
en las calles
y en el puerto.
¡La lucha de mi pueblo
es de todos los pueblos!

Soy uno más
que se levanta
de tu mesa, París,
antes del postre.
Sin embargo
no pierdo la esperanza:
regresaré a beber
tu vino rojo
entre las manos rojas
que dominarán tu cuerpo.

Permiso, pues,
ya me despido.
No tengo dirección que darte.
Si deseas escribirme
recibiré tus cartas
a través de las luchas
de tus oprimidos.
De todas formas
mi casa será un fusil,
un panfleto clandestino
o lo que ordene el partido.

De preferencia
te pido
escríbeme en papel
huelga,
en pliego
de peticiones
en sobre azul
para los patrones.
Y no te olvides
ponerle el sello,
el sello
de los trabajadores.

Quem Vai Comigo?

Permissão
com todo respeito revolucionário,
permissão, camarada.
Permissão ao fuzilado,
aquele que morreu lutando.
Permissão àquele que torturado
gritou de dor,
gritou seu ódio,
mas guardou silêncio
sobre Juan,
Manuel
e o resto do partido.
Permissão a você,
combatente de hoje,
combatente clandestino.

Quero dizer
é minha última canção,
essa que canto.
Já me despeço
das antigas cidades
à beira dos rios.

Não posso ir em silêncio.
Não é justo dizer
adeus, até logo.
Não. Quem quiser me acompanhar
vem comigo.
Não me despeço
estendo convites:
eu vou lutar,
quem vai comigo!
E quem não puder
fica
mas lutando:
na indústria,
nas ruas
e no porto.
A luta do meu povo
é de todos os povos!

Sou um a mais
que se levanta
da sua mesa, Paris,
antes da sobremesa.
No entanto
não perco a esperança:
vou voltar a beber
tua vinho tinto
entre as mãos vermelhas
que dominarão teu corpo.

Permissão, então,
já me despeço.
Não tenho endereço pra te dar.
Se quiser me escrever
receberei suas cartas
através das lutas
dos seus oprimidos.
De qualquer forma
minha casa será um fuzil,
um panfleto clandestino
ou o que o partido ordenar.

De preferência
te peço
escreva-me em papel
de greve,
em um documento
de reivindicações
em um envelope azul
para os patrões.
E não se esqueça
de colocar o selo,
o selo
dos trabalhadores.

Composição: Nelson Villagra