395px

Elegia Sem Nome

Patricio Manns

Elegía Sin Nombre

Se me está nublando el alma
De tanto guardarte sombra,
Árbol viejo en descampa'o,
No hay lluvia que no recoja.

La recojo porque siento
Que lloras de vez en cuando.
El que parte es el que cambia
Por inviernos los veranos.

Si te fuiste,
Buen camino,
Pero no quiero seguirte,
Que en la tierra
En que me amaste
Tengo echadas las raíces.

Yo no sé si fuiste un sueño
De esos que en la noche brotan
O es verdad que me quemaste
Como un rayo la memoria.

Ahora sé que ya no existes:
Con la noche te has fundido,
Y sé que el amor es ciego,
Y sé que es ciego el olvido.

Elegia Sem Nome

Está nublando minha alma
De tanto guardar sua sombra,
Árvore velha em campo aberto,
Não há chuva que não colha.

Eu a recolho porque sinto
Que você chora de vez em quando.
Quem parte é quem muda
Por invernos os verões.

Se você se foi,
Boa viagem,
Mas não quero te seguir,
Pois na terra
Onde me amou
Minhas raízes estão fincadas.

Não sei se você foi um sonho
Daqueles que brotam à noite
Ou se é verdade que me queimou
Como um raio na memória.

Agora sei que você já não existe:
Com a noite você se fundiu,
E sei que o amor é cego,
E sei que o esquecimento é cego.

Composição: Patricio Manns