La Noche de Los Tiempos
Como ya sabes, vengo de la noche de los tiempos
acudiendo a la llamada de tu carne intransigente
y me adueño sin tardanza del furor de tu deseo
porque con el tiempo no puedo contar.
Como ya sabes, llego desde el faro atormentando
los temblores de tu vientre que abriré sin miramientos
porque quiero perpetuarme en el torrente de tu sangre
y escanciar en tu memoria los gemidos del amor.
Porque he decidido crucificarte en un leño
y guardarte firmemente en el forzoso cautiverio
y obtener seguramente cada noche to agonía
y escuchar el balbuceo de tu boca ya domada
para que nunca olvides el hallazgo
de este sol
que cubre de claridad tu acontecer
pero trae
hasta ti
la noche de los tiempos.
Ocuparé el espacio de tu pecho palpitante
repletándolo de mieles y de acíbares perversos
acunando entre mis manos tu corazón sudoroso
para desatar la audacia de mi amor.
A Noite dos Tempos
Como você já sabe, venho da noite dos tempos
atendendo ao chamado do seu corpo intransigente
e me aproprio sem demora do furor do seu desejo
porque com o tempo não posso contar.
Como você já sabe, chego do farol atormentando
os tremores do seu ventre que abrirei sem hesitar
porque quero me perpetuar na torrente do seu sangue
e escancarar na sua memória os gemidos do amor.
Porque decidi te crucificar em um tronco
e te guardar firmemente no cativeiro forçado
e obter seguramente cada noite sua agonia
e ouvir o balbuciar da sua boca já domada
para que nunca esqueça a descoberta
deste sol
que cobre de clareza seu acontecer
mas traz
a você
a noite dos tempos.
Ocuparai o espaço do seu peito palpitante
repletando-o de mel e de amarguras perversas
embalando entre minhas mãos seu coração suado
para soltar a audácia do meu amor.
Composição: Patricio Manns