La Tramontana
Por un camino de invierno volví a tu pueblo.
Tu pueblo me abrió los brazos muy de mañana.
Y cuando esa noche el vino nos daba fuego
alguno nombró tu nombre, mi Tramontana.
Oculta por los zarpazos del viento norte,
al otro lado del monte con que te hermanas,
me has hecho perder el rumbo por tanto tiempo
que nunca he podido hallarte, mi Tramontana.
Soberbia como tu nombre que nunca olvido,
tan vanidosa y altiva, tan soberana,
también perdiste la huella que da a mi puerta,
la puerta clara que da a mi pecho,
y hasta ese pecho, mi Tramontana.
Y me has dejado un vacío en las manos solas,
las manos tiernas que te buscaron
sin encontrarte, mi Tramontana.
A veces, cuando el camino me mata un poco
y no distingo las sombras de tu ventana,
mi corazón se adormece mordiendo el alba
a la espera de que asomes, mi Tramontana.
A Tramontana
Por um caminho de inverno voltei pra sua cidade.
Sua cidade me recebeu de braços abertos bem cedo.
E quando naquela noite o vinho nos incendiava,
algum nomeou seu nome, minha Tramontana.
Oculta pelos golpes do vento norte,
do outro lado da montanha com que você se irmana,
me fez perder o rumo por tanto tempo
que nunca consegui te encontrar, minha Tramontana.
Soberana como seu nome que nunca esqueço,
tão vaidosa e altiva, tão majestosa,
também perdeu a trilha que leva à minha porta,
a porta clara que dá pro meu peito,
e até esse peito, minha Tramontana.
E me deixou um vazio nas mãos vazias,
as mãos ternas que te procuraram
sem te encontrar, minha Tramontana.
Às vezes, quando o caminho me mata um pouco
e não consigo distinguir as sombras da sua janela,
meu coração se adormece mordendo a aurora
na espera de que você apareça, minha Tramontana.
Composição: Patricio Manns