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Manifesto Essencial

Patricio Manns

Manifiesto Esencial

Medio y medio entre dos grietas
que cuelgan flotando de espaldas al cielo, piam.
Y árida espuma sufrida
y crucial resolana barriendo las pircas.
Han ataviado de nuevo
mi raza de Chile con pólvora y sangre, piam;
sólida boca,
despierta pupila,
terrores trenzando sus bridas.
Horno de los carniceros,
la hoguera descarga sus llaves atroces, piam.

Cuídate, mi pueblo.

Yo te conozco y conservas intacto el
ansioso pezón de tus montes, piam.
Y te conozco y resguardas al vientre arrogante
de todos tus ríos.
Lloverá sangre y ceniza como de costumbre
si a hierro te hirieron, piam.
Y esta certeza alimenta la terca
vigilia que me ensancha el ojo:
veré flotando en su linfa los cuerpos vencidos
de nuestros verdugos, piam.

Vivirás, mi pueblo.

Quien ha llegado a tu médula
y quien ha bebido en tus
ácidas fuentes,
piam.

Cargará en hombros los
túmulos hoscos
que eleva
la sangre secreta.

Y ha de copar en la boca tus
nieves amargas
y un viento
de fuego,
piam.

Y ha de fundir en el pecho
veloces
vertientes
de orgánica lava.

Y ha de saber que las lanzas
de Arauco
vendrán una noche
matando,
piam.

Te alzarás, mi pueblo.

Manifesto Essencial

Meio a meio entre duas fendas
que flutuam de costas pro céu, piam.
E espuma árida sofrida
e crucial claridade varrendo as cercas.
Vestiram de novo
minha raça do Chile com pólvora e sangue, piam;
boca sólida,
pupila desperta,
t terrores trançando suas rédeas.
Forno dos açougueiros,
a fogueira descarrega suas chaves atrozes, piam.

Cuide-se, meu povo.

Eu te conheço e conservas intacto o
ansioso mamilo de suas montanhas, piam.
E te conheço e resguardas o ventre arrogante
de todos os seus rios.
Vai chover sangue e cinzas como de costume
se te feriram com ferro, piam.
E essa certeza alimenta a teimosa
vigília que me alarga o olho:
verei flutuando em sua linfa os corpos vencidos
de nossos algozes, piam.

Você viverá, meu povo.

Quem chegou à sua medula
e quem bebeu em suas
ácidas fontes,
piam.

Carregará nos ombros os
túmulos sombrios
que eleva
a sangue secreta.

E há de encher em sua boca suas
neves amargas
e um vento
de fogo,
piam.

E há de fundir em seu peito
velozes
vertentes
de lava orgânica.

E há de saber que as lanças
de Arauco
virão uma noite
matando,
piam.

Você se levantará, meu povo.

Composição: Patricio Manns