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Retrato

Patricio Manns

Retrato

De amplia miel era su
corazón en agraz
y su boca locuaz
como un viento fluvial.
La corriente total
de su sangre en acción
la arrastraba en turbión
convencido y caudal.

No fue extraña al telar,
por la usina pasó,
a la greda volvió,
regresó de la mar
y a mi lado durmió.

Germinó con aquel
resplandor maternal
que la hacía panal
y la henchía de ser.
Y aprendió a comprender
y comprendió al pensar
y pensó al militar
y militó al crecer.

No fue extraña al telar,
por la usina pasó,
a la greda volvió,
regresó de la mar
y a mi lado soñó.

Cuando ardió la ciudad,
cuando el tanque arrasó
y su pueblo cayó
traicionado otra vez
la vi mucho a través
de los meses actuar,
trabajar, ayudar,
desgarrarse los pies.

No fue extraña al telar
por la usina pasó,
a la greda volvió,
regresó de la mar

y desapareció.

Retrato

Era de mel a sua
coração em amadurecer
E sua boca falante
como um vento de rio.
A correnteza total
do seu sangue em ação
a arrastava em turbilhão
convencido e caudal.

Não foi estranha ao tear,
pela usina passou,
a argila voltou,
regressou do mar
e ao meu lado dormiu.

Germinou com aquele
brilho maternal
que a tornava colmeia
e a enchia de ser.
E aprendeu a entender
e entendeu ao pensar
e pensou ao militar
e militou ao crescer.

Não foi estranha ao tear,
pela usina passou,
a argila voltou,
regressou do mar
e ao meu lado sonhou.

Quando a cidade pegou fogo,
quando o tanque devastou
e seu povo caiu
traído mais uma vez
Eu a vi muito através
do passar dos meses agir,
trabalhar, ajudar,
rasgar os pés.

Não foi estranha ao tear
pela usina passou,
a argila voltou,
regressou do mar

e desapareceu.

Composição: Horacio Salinas / Patricio Manns