395px

Fábula do Caçador

Patxi Andion

Favula Del Kazador

Me lo encontré sin querer
A la vuelta de un farol
Él se quería esconder
Pero mi perro buscón
Lo engancho

Ese bigote fatal
Y esa camisa de seda
Debajo del tosco zayal
Y esa barba a lo Marx
Me traicionó

La providencia llegó a dar fruto
A su paciencia de viejo cazador
La humanidad le erigirá
El ejemplo de la ciencia
Ha rescatado al final
Un prehistórico animal
Vivo y virginal

Es un burgués increíblemente vivo
Es un burgués con su traje y bigotito
Con su señora, sus queridas y sus hijitos
Con su chaqué, sus medallas y talones
Con telefónicas y sin dejar los coches
Su Rolex de oro, su parcela y sus árboles
Es un burgués, es un espécimen vivo
Es un burgués, un autentico burgués
De los de antes, ay madre, es un burgués

Tenga piedad señor cazador
No me vaya uste a entregar
Tenga piedad por mis bancos
Pobres bancos huerfanitos
Y mi multinacional
Viuda y sin macho
Tenga piedad, por favor
Tenga piedad

Señor, por favor, por piedad
Se lo pido, se lo pido, por favor
No me haga uste esto por favor
Ay madre mía, ay madre mía
No, ay no, no, no
Por piedad, por favor

Lo siento mi buen señor
Pero uste ha sido cazado
Le llevaré a confesar
Hasta el facha tribunal
Chaqueteado

Más si se porta uste bien
Le quitaré los grilletes
Y le diré a mi perro fiel
Que le deje de morder
El este filete

Pero ahí de él
Si olvida de que al que se vuelve
Le asaltan los del treinta y nueve
Y en cuanto da uno un mal paso
Sale cazador cazado

Se me acercó con el arma que ocultaba
Hirió mi oreja con su lengua emponzoñada
Y hasta mi perro se durmió entre sus piernas
Me fue ganando poco a poco el sentimiento
Me hirió con cuentas en negro y dividendos
Y al fin la propuesta me llego fatal y abierta
Y perdí esto y aquello entre sus brazos
Y me hice chulo de burgueses y palacios
Y desde entonces es él quien en mi partido
Paga las bulas, las parodias y los gastos
Y yo soy héroe, macarra de burgueses reaccionarios
Bueno, ya está dicho, se acabó

Fábula do Caçador

Me deparei com ele sem querer
Na esquina de um lampião
Ele queria se esconder
Mas meu cachorro farejador
Pegou ele

Aquele bigode fatal
E aquela camisa de seda
Debaixo do tosco zayal
E aquela barba estilo Marx
Me traiu

A providência veio dar frutos
À sua paciência de velho caçador
A humanidade vai erguer
O exemplo da ciência
Resgatou no final
Um animal pré-histórico
Vivo e virginal

É um burguês incrivelmente vivo
É um burguês com seu terno e bigotinho
Com sua senhora, suas amantes e seus filhinhos
Com seu fraque, suas medalhas e talões
Com telefônicas e sem largar os carros
Seu Rolex de ouro, seu terreno e suas árvores
É um burguês, é um espécime vivo
É um burguês, um autêntico burguês
Dos de antes, ai mãe, é um burguês

Tenha piedade, senhor caçador
Não me vá entregar
Tenha piedade pelos meus bancos
Pobres bancos órfãos
E minha multinacional
Viúva e sem macho
Tenha piedade, por favor
Tenha piedade

Senhor, por favor, por piedade
Eu lhe peço, eu lhe peço, por favor
Não me faça isso, por favor
Ai minha mãe, ai minha mãe
Não, ai não, não, não
Por piedade, por favor

Sinto muito, meu bom senhor
Mas você foi caçado
Vou te levar pra confessar
Até o tribunal fascista
Com o fraque

Mas se você se comportar bem
Vou tirar as algemas
E direi ao meu cachorro fiel
Que pare de morder
Esse filé

Mas ai dele
Se esquecer que quem se volta
É assaltado pelos de trinta e nove
E assim que dá um passo em falso
Sai caçador caçado

Ele se aproximou com a arma que escondia
Feriu minha orelha com sua língua envenenada
E até meu cachorro dormiu entre suas pernas
Ele foi me ganhando pouco a pouco no sentimento
Me feriu com contas em negro e dividendos
E no fim a proposta me chegou fatal e aberta
E perdi isso e aquilo entre seus braços
E me tornei o garanhão de burgueses e palácios
E desde então é ele quem no meu partido
Paga as bulas, as paródias e os gastos
E eu sou herói, macarrão de burgueses reacionários
Bom, já está dito, acabou

Composição: Patxi Andion