exibições de letras 42

Vagalumedisse

Paulo Beto

Letra

    Querem podar seu canto
    Lhe revender na feira
    Na rinha deu-se o espanto
    Por tanto ser quem eras
    Um animal, um santo
    Um tanto pai da terra

    Querem matar-lhe moço (com seus tipos e tamanhos)
    Alçar-lhe num cargueiro (seus jeitos, seus defeitos)
    Pintar seu corpo todo
    E te lançar na tela
    Feito um milagre torto
    Um romance morno (foi tu gemer num canto)
    Movido a manivela, mantido por tabela (ele gozar na rede)

    E não se sabe mais
    O que fazer de nós
    Um vagalume disse
    Que o homem ia se acabar a sós

    Na lancinante toada arrota a rua, venera a lira
    Vomita a fábrica sua ode à espada, vegeta a vida
    Sob a floresta, avessa ao verso, presa ao limbo do obvio
    Qual arrojo disputa num indulgente desejo
    Qual sílaba nua num tântrico tédio
    A tática hominis 'in loco' decanta
    De tanto que a ordem mal paga, venera
    Qual vento, a moeda moeu toda a dança
    E foi-se quase tudo virar fingimento
    Cidade, cimento, produto, palavra
    Em ordem seguimos, sentados seguimos, sedados
    Seguindo os seguidos, a míngua da besta
    A margem do abismo, amando amarrado
    Gemendo algemado em pleno verão de dois mil quatrocentos e trinta
    E sete mil novecentos e cinquenta e sete
    Sangrando adestrado enquanto o ovo canta um milagre
    Aos olhos carentes de sua mãe, aos olhos inocentes
    De um boi abatido

    E não se sabe mais
    O que fazer aqui
    Ouvir um velho rock
    Dançar com a morte
    E com você fugir

    A gente vai levando a gente nas costas há tempos
    A gente vai enquanto houver respeito
    Pelo nada, pelo novo, como ao universo todo
    Torto, pelo outro que é você e pelo que não dá pra ver

    Que tudo é tão bonito e tão finito
    Enquanto nasce um grilo, morre o filho do mosquito
    E a formiga também sente, como o bicho que mente
    Eu não vivo sem você

    E não se sabe mais
    O que fazer de nós
    Um vagalume disse
    Que o homem ia se apagar a sós

    Pedro que amava ana
    Que amava joana e diz que amar varia
    E amava lia
    Mas se casou com o juízo
    E foi morrer de cidade
    Em plena saudade grande diz que aprendeu com Maria
    Que amar lhe valia e o livraria da doce pena
    De estar preso aqui, andando pelo mercado
    Piscando pro vento, ao solo fincado, perdendo pro tempo
    Que esmaga a cria, que era a dona da alegria que os unia
    A tão pouco tempo
    Mas ninguém reparou que ele estava ali
    Ela estava ali mas ninguém reparou
    O tempo passou, e ele ainda estava ali
    Mas ninguém reparou que tava tudo aí
    Seu corpo assou, seu tempo passou
    E ele ainda estava ali, e eu profetizei
    Tomara que talvez


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Paulo Beto e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção