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Dedicatória

Paulo Peres

Letra

    Voltaste
    Quando minha memória
    Seguira esquinas vadias
    Sob a chuva que fazia lama
    Da poeira do teu senso e morria.
    Por que chegaste e me acovardaste?
    Teu corpo, teus seios, como roçaste
    Nos meus delírios e dos desafios zombaste.
    Tua boca transmitiu seu vermelho
    À poesia, onde coagulo meu além-velho?
    O livro que me deste de presente
    Envolto pelo bálsamo do desvelo
    Serviu apenas para adicionar ilusões
    Interrogando saudações.
    A dedicatória que ousaste, doeu...

    Criança, sempre deixas eu ler teus olhos
    Quando soltam mentiras de gostar;
    São brilhos seduzindo sonhos:
    Balas, doces e bombons...
    Criança, mimada e ludibriada
    Pelo dote bem-te-quer.
    Isenta de pena por causar-me malmequer.
    O berço da vida vai-te embalar,
    Vai-te magoar, vai-te negociar....

    Depois estarei sem volta
    Na volta do destino
    Para te envoltar meus braços.
    Meu coração retarda o agora,
    Pedaços obscuros,
    Jogando vestes no atiçar futuro.
    Trazes o fogo na chuva, o lume do desvio,
    Violando apreços perante teu preço
    A centelhar meu pavio.

    És perte de uma recompensa,
    Fruto qe plantei de sentença,
    Estigma da loucura por prazer-mulher?...
    O poeta que te cala
    Ao berço da noite embala
    Tua dedicatória
    E amordaça o gostar
    No túmulo da utopia!


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