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Os Cães do Amanhecer

Pedro Aznar

Los Perros Del Amanecer

Piden paz las filas de lo siempre igual
Piden paz las horas secas de esperar
Piden paz los huesos listos a quebrar
Piden paz las ropas que no se usan más

La vanidad
es obra de un tirano rey
que goza ser su propia ley
y tiembla de inseguridad

La caridad
nunca es bien entendida
la culpa es una herida
que infecta la intención

Piden paz los ojos rojos de perder
Piden paz los perros del amanecer
Piden paz las cosas que dijiste ayer
Piden paz los ciegos que te ven volver

La libertad
está hecha de madera
una chispa cualquiera
la puede hacer caer

No seré yo quien te haga daño
pero no estoy para ratón
Podés guardar tus zarpas
para un tonto peor

La ambigüedad
permite muchas caras
tomar partido en nada
pasar por distracción

La soledad
se ríe de las cámaras
y aplasta entre sus sábanas
la fina pretensión

Piden paz los sábados de mal de amor
Piden paz los platos y el televisor
Piden paz las letras chuecas del doctor
Piden paz los tubos del respirador

Piden paz los muros de Jerusalén
Piden paz los robos en el almacén
Piden paz las luces huecas del andén
Piden paz las caras muertas en el tren

Piden paz
Piden paz
Piden paz

Os Cães do Amanhecer

Pedem paz as filas do sempre igual
Pedem paz as horas secas de esperar
Pedem paz os ossos prontos a quebrar
Pedem paz as roupas que não se usam mais

A vaidade
é obra de um rei tirano
que gosta de ser sua própria lei
e treme de insegurança

A caridade
nunca é bem entendida
a culpa é uma ferida
que infecta a intenção

Pedem paz os olhos vermelhos de perder
Pedem paz os cães do amanhecer
Pedem paz as coisas que você disse ontem
Pedem paz os cegos que te veem voltar

A liberdade
é feita de madeira
qualquer faísca
pode fazê-la cair

Não serei eu quem te faça mal
mas não estou aqui pra ser rato
Você pode guardar suas garras
pra um idiota pior

A ambiguidade
permite muitas caras
tomar partido em nada
passar por distração

A solidão
ri das câmeras
e esmaga entre seus lençóis
a fina pretensão

Pedem paz os sábados de mal de amor
Pedem paz os pratos e a televisão
Pedem paz as letras tortas do doutor
Pedem paz os tubos do respirador

Pedem paz os muros de Jerusalém
Pedem paz os roubos no armazém
Pedem paz as luzes vazias do trem
Pedem paz as caras mortas no metrô

Pedem paz
Pedem paz
Pedem paz

Composição: