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Meus Nove Anos

Pedro Fernández

Mis Nueve Años

Yo soy el que camina por las calles
Dices que soy motivo de tu enojo
Dices que yo te causo muchos males
Me dices que soy vago
Me dices que soy flojo

Yo soy el que atropellas a tu paso
Yo soy el que se duerme en cada puerta
Yo soy al que ya nadie le hace caso
Solo porque mi madre ya está muerta

Igual que tu alguna vez
Yo tuve cama
Igual que tú yo disfrute cada mañana
Y los domingos de la mano de mi madre
Íbamos juntos a la tumba de mi padre

Alguna vez la vida fue conmigo amable
Alguna vez tuve también casa y juguetes
Pero de pronto me llego la mala suerte
Y una mañana ya no despertó mi madre

Yo soy el que camina por las calles
Dices que yo ya soy un vagabundo
Pero solo Dios sabe de mis males
Que ya no tengo a nadie y estoy solo en el mundo

Yo soy el que camina por las calles
Yo soy el que recibe los regaños
De gente como tú que no comprende
Ustedes son adultos
Y yo tengo nueve años

Igual que tu alguna vez
Yo tuve cama
Igual que tú yo disfrute cada mañana
Y los domingos de la mano de mi madre
Íbamos juntos a la tumba de mi padre

Alguna vez la vida fue conmigo amable
Alguna vez tuve también casa y juguetes
Pero de pronto me llego la mala suerte
Y una mañana ya no despertó mi madre

Meus Nove Anos

Eu sou o que anda pelas ruas
Você diz que sou motivo da sua raiva
Você diz que eu te causo muitos males
Você diz que sou vagabundo
Você diz que sou preguiçoso

Eu sou o que você atropela no seu caminho
Eu sou o que dorme em cada porta
Eu sou aquele que ninguém mais dá atenção
Só porque minha mãe já morreu

Igual a você, uma vez
Eu tive cama
Igual a você, eu aproveitava cada manhã
E aos domingos, de mãos dadas com minha mãe
Íamos juntos ao túmulo do meu pai

Alguma vez a vida foi gentil comigo
Alguma vez eu também tive casa e brinquedos
Mas de repente a má sorte me alcançou
E uma manhã minha mãe não acordou mais

Eu sou o que anda pelas ruas
Você diz que eu já sou um vagabundo
Mas só Deus sabe dos meus males
Que eu não tenho mais ninguém e estou sozinho no mundo

Eu sou o que anda pelas ruas
Eu sou o que recebe as broncas
De gente como você que não entende
Vocês são adultos
E eu tenho nove anos

Igual a você, uma vez
Eu tive cama
Igual a você, eu aproveitava cada manhã
E aos domingos, de mãos dadas com minha mãe
Íamos juntos ao túmulo do meu pai

Alguma vez a vida foi gentil comigo
Alguma vez eu também tive casa e brinquedos
Mas de repente a má sorte me alcançou
E uma manhã minha mãe não acordou mais

Composição: Monterrosas